
CLEITINHO PREOCUPA O GOVERNO
O senador Cleitinho (Republicanos) afirmou que será, de fato, candidato ao Governo de Minas e, com uma única declaração, incendiou o jogo eleitoral no estado, ao menos no campo da direita. A movimentação gerou tensão entre os articuladores ligados ao governador Romeu Zema (Novo) e ao vice-governador Mateus Simões (PSD). Enquanto Mateus ainda não decolou nas pesquisas, Cleitinho aparece como líder sempre que é testado. E tem pouco a perder caso confirme a candidatura e eventualmente seja derrotado, já que está apenas na metade do mandato no Senado. Além disso, sua entrada na disputa garantiria um palanque robusto em Minas para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
CLEITINHO PREOCUPA II
Uma candidatura de Cleitinho praticamente retiraria o PL da órbita de Mateus Simões. Em uma eventual chapa de Cleitinho, o partido dos Bolsonaro poderia indicar não apenas um dos dois candidatos ao Senado, possivelmente seu presidente estadual, o deputado federal Domingos Sávio, como também o vice-governador. Nesse cenário, o nome do presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, surge como alternativa viável. Restaria a segunda vaga ao Senado, que Cleitinho poderia negociar com o também senador Carlos Viana, que busca partido e chapa para disputar sua reeleição. Vale lembrar que o deputado federal Samuel Viana, filho de Carlos, é filiado ao Republicanos, mesmo partido de Cleitinho, o que amplia as possibilidades de composição.
CLEITINHO PREOCUPA III
Anotações manuscritas de Flávio Bolsonaro, exibidas em reunião do PL na qual projetava os palanques estaduais de sua candidatura ao Planalto, indicam que a cúpula do bolsonarismo prefere caminhar com Cleitinho em Minas a apoiar Mateus Simões. Há um fator adicional: Mateus teria de fazer campanha presidencial para Romeu Zema, seu líder político e principal cabo eleitoral. Esse impasse só seria superado caso Zema compusesse como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Esse cenário, que já foi mais desejado pelo PL, hoje perdeu força. A preferência atual do partido seria pela senadora Tereza Cristina, que agregaria o apoio consolidado do agronegócio e representaria a presença feminina na chapa, elemento considerado estratégico diante da maior resistência do eleitorado feminino à família Bolsonaro.
CLEITINHO PREOCUPA IV
Em resumo, a candidatura de Cleitinho é excelente para Flávio Bolsonaro e altamente problemática para Mateus Simões. A missão prioritária do Governo de Minas, até as convenções, tende a ser convencer Cleitinho a desistir da disputa. Sem Cleitinho no páreo, o PL poderia construir outro palanque em Minas para Flávio Bolsonaro. Uma hipótese seria lançar o próprio Flávio Roscoe ao governo, encabeçando a chapa, ou integrá-lo como vice de Mateus Simões, vaga que, ao menos até aqui, está prometida ao Partido Novo. Contudo, Roscoe só seria vice de Simões se Zema declarasse apoio a Flávio Bolsonaro desde o primeiro turno. Caso Zema não seja candidato à Presidência nem à Vice-Presidência, restariam duas alternativas: permanecer no governo até dezembro para tentar impulsionar a eleição de Simões ou disputar o Senado, hipótese que reduziria ainda mais os espaços de negociação na chapa de seu afilhado político.
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