
Encontro reuniu produtores, técnicos e representantes do poder público para discutir oportunidades de expansão das variedades Arábica e Robusta, além de estratégias para fortalecer a cadeia produtiva do café na região
Por Jerusia Arruda
Bocaiuva sediou, no dia 3 de novembro, a 2ª Reunião Técnica Café no Norte de Minas, iniciativa promovida pela Prefeitura em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), com o objetivo de discutir o cenário, as perspectivas e as possibilidades de expansão da cafeicultura regional. O encontro reuniu produtores rurais, técnicos e representantes do poder público para debater a viabilidade do cultivo das variedades Arábica e Robusta, além de apresentar ações voltadas à organização e ao fortalecimento da cadeia produtiva.
A programação contou com a participação do subsecretário de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Julian Silva Carvalho, que ministrou palestra sobre o tema e compartilhou experiências relacionadas à atividade cafeeira.
Com trajetória profissional ligada ao setor, Julian destacou a importância de aproximar o conhecimento técnico da realidade dos produtores. “A minha vida foi no café. Então, eu tentei trazer na minha palestra essa experiência para que pudéssemos discutir sugestões e dúvidas em relação ao projeto”, afirmou.
Durante o encontro, foram apresentadas ações, cronogramas e uma agenda de compromissos para orientar o desenvolvimento da cafeicultura no Norte de Minas. Segundo o gerente regional da Emater-MG, José Arcanjo, a iniciativa surgiu da necessidade de estruturar um trabalho específico para a atividade na região.
“Nós resolvemos organizar um trabalho com a cafeicultura no Norte de Minas. Foi escrito o projeto, uma proposta de trabalho e, a partir de então, iniciamos uma série de ações, apresentada durante este encontro”, explicou.
De acordo com o gerente, a proposta busca oferecer suporte técnico e informações que permitam aos cafeicultores planejar seus investimentos e tomar decisões mais seguras. “Apresentamos o cronograma de execução, a agenda de compromissos, para tentar ajudar os produtores a estruturar a cadeia de produção de café. A ideia é estruturar esse arranjo produtivo e munir os produtores de informações para que tenham condições de tomar decisões”, acrescentou.
O prefeito de Bocaiuva, Roberto Torres, ressaltou a tradição agrícola da região e a importância da participação dos pequenos e médios produtores na construção de uma cafeicultura diversificada, com foco na qualidade e na valorização da produção local.
“É importante enxergar uma região próspera, que já tem uma longa tradição no cultivo e na comercialização do café, no cooperativismo e no associativismo. A participação do pequeno e médio produtor é fundamental para manter uma produção heterogênea, com qualidade, um café de excelência”, destacou.
O prefeito também chamou a atenção para as características naturais do território norte-mineiro que podem favorecer o desenvolvimento da atividade, mencionando a disponibilidade de recursos hídricos em localidades como Cordeiro, Macaúbas Palmito, Olhos d’Água e Itacambira. Sobre esta última, destacou a altitude como um diferencial para o cultivo.
Torres defendeu ainda a integração entre os municípios, a Emater-MG e os órgãos de fomento para ampliar as oportunidades de desenvolvimento. Segundo ele, a inovação e o planejamento são fundamentais para transformar o potencial agrícola em resultados econômicos e sociais.
“Essa questão de inovar, de ter essa coragem de buscar o desenvolvimento econômico e social”, afirmou. O prefeito também observou que o trabalho no campo, quando bem planejado e executado, pode contribuir diretamente para a qualidade de vida da população rural.
O secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Rogério Pires, também destacou a importância da capacitação e da organização dos produtores para o avanço da atividade. Para ele, o conhecimento compartilhado durante a reunião, aliado a investimentos e à disposição dos agricultores, pode contribuir para consolidar a cadeia produtiva do café no município e em outras localidades da região.
Representando o Poder Legislativo, o presidente da Câmara Municipal, vereador Toninho, reafirmou o compromisso da Casa com o fortalecimento da agricultura. Ele destacou o papel do setor na geração de emprego e renda e colocou o Legislativo à disposição dos produtores e das instituições envolvidas.
Conilon amplia perspectivas para o Norte de Minas
A discussão sobre a diversificação da produção também está alinhada às perspectivas apresentadas recentemente pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). O governo estadual tem apontado o potencial de expansão do café conilon, variedade da espécie Robusta, em regiões como o Norte de Minas e os vales do Jequitinhonha e do Mucuri.
Segundo o secretário de Estado de Agricultura, Thales Fernandes, as características agronômicas do conilon podem favorecer sua adaptação a áreas com temperaturas mais elevadas e altitudes mais baixas, ampliando as alternativas para os produtores mineiros.
“Diferentemente do café arábica, o conilon não exige condições tão específicas de clima e altitude para se desenvolver. Ele se adapta a temperaturas mais elevadas e altitudes mais baixas. Para o pequeno produtor, representa uma alternativa de aumento da renda, devido à alta produtividade”, explicou.
O secretário também apresentou dados de trabalhos de campo da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que indicam diferenças expressivas de produtividade entre as variedades. Segundo ele, um hectare de café conilon irrigado pode alcançar entre 120 e 150 sacas, enquanto a produtividade do arábica irrigado fica em torno de 60 sacas por hectare.
Thales Fernandes acrescentou que o conilon pode representar uma alternativa para investimentos em áreas maiores e contribuir para a recuperação de áreas degradadas, desde que observadas as condições técnicas e ambientais necessárias ao cultivo.
Além das perspectivas produtivas, as discussões também consideraram a sustentabilidade e a competitividade dos cafés brasileiros e mineiros, temas que integram a agenda estadual para o desenvolvimento do setor.
Integração e planejamento para fortalecer a cafeicultura
Para os representantes municipais, a reunião representa uma oportunidade de aproximar produtores, instituições de pesquisa, assistência técnica e órgãos de fomento, criando condições para que o conhecimento compartilhado se transforme em iniciativas concretas no campo.
Ao agradecer a participação dos envolvidos, o prefeito Roberto Torres reforçou a importância da disseminação das informações debatidas no encontro. “Quero agradecer a todos os presentes que se dispuseram a compartilhar essas informações, esse conhecimento, para que, depois, a gente possa levar para as outras pessoas”, declarou.
A 2ª Reunião Técnica Café no Norte de Minas integra um esforço de articulação para identificar oportunidades, orientar os produtores e avaliar as condições de desenvolvimento da cafeicultura regional. A expectativa é que o diálogo entre os diferentes setores contribua para ampliar as alternativas de produção, fortalecer a agricultura familiar e criar novas possibilidades de geração de emprego e renda no Norte de Minas.






