Bocaiuva sedia segundo encontro e reúne manifestações culturais e mobilização ambiental em defesa de um dos rios mais importantes do país

Por Jerusia Arruda
BOCAIUVA = Nos dias 4 e 5 de abril, a comunidade de Terra Branca, no município de Bocaiúva, no Norte de Minas Gerais, será palco de um dos mais importantes eventos de mobilização socioambiental da região: o 2º Encontro “Salve o Rio Jequitinhonha”. Realizado às margens do próprio rio, o encontro reunirá moradores, pescadores, ambientalistas, representantes culturais e visitantes de diversas cidades em torno de um objetivo comum — a preservação de um dos mais emblemáticos cursos d’água de Minas Gerais.
Com o tema “Depois da luta, a guarda do rio é dos pescadores — vigilantes, guardiões e vozes da conscientização”, o evento destaca o papel fundamental das comunidades tradicionais e ribeirinhas na proteção do Rio Jequitinhonha. A proposta reforça a importância do conhecimento popular aliado à conscientização coletiva para garantir a sustentabilidade e o uso responsável dos recursos naturais.
Organizado pelo Movimento Salve o Rio Jequitinhonha, que há sete anos atua na mobilização ambiental da região, o encontro conta com a parceria da Prefeitura de Bocaiúva, consolidando uma articulação entre poder público, sociedade civil e lideranças comunitárias. A iniciativa evidencia o reconhecimento crescente da relevância do rio, não apenas como fonte de abastecimento e sustento econômico, mas também como patrimônio cultural e identitário.
Um rio que conecta vidas e histórias
O Rio Jequitinhonha atravessa diversas cidades mineiras, sendo essencial para atividades produtivas, abastecimento e manutenção de ecossistemas. Sua importância ultrapassa o aspecto ambiental, alcançando dimensões sociais e culturais profundas, especialmente nas comunidades que historicamente dependem de suas águas.
Nesse contexto, o encontro se apresenta como espaço de diálogo, troca de saberes e fortalecimento de redes de proteção ambiental. A expectativa é de grande participação popular, com caravanas já confirmadas e fluxo intenso de visitantes, o que também representa uma oportunidade econômica para os moradores de Terra Branca, que se preparam para oferecer hospedagem, alimentação e serviços.
Cultura, tradição e celebração
Além dos debates e ações de conscientização, a programação valoriza fortemente as manifestações culturais da região. Apresentações musicais, grupos tradicionais, capoeira, cortejos e celebrações religiosas compõem uma agenda diversa que reforça a identidade local e promove a integração entre os participantes.
Um dos momentos mais aguardados será o “Luau do Jequitinhonha”, no sábado à noite, com apresentação especial de Paulinho Pedra Azul. Natural de Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, o artista é reconhecido nacionalmente por sua obra poética e profundamente ligada às raízes culturais e às paisagens do sertão mineiro.
Com uma carreira consolidada na música popular brasileira, Paulinho Pedra Azul se destaca por canções que abordam temas como a natureza, a vida simples e as tradições do interior. Sua participação no evento não apenas enriquece a programação cultural, mas também reforça o simbolismo da luta pela preservação do rio, já que sua obra dialoga diretamente com o território e suas histórias. O luau promete ser um momento de emoção, conexão e celebração coletiva às margens do Jequitinhonha.
Programação diversificada

A agenda do encontro contempla dois dias de intensa atividade:
Sábado – 04 de abril
10h: Abertura oficial
10h30: Banda de Música de Senador Mourão
11h: Baianas do Retiro
12h: Almoço e pagode
14h: Capoeira com grupo de Zé Agostinho
15h: Escola Estadual João Osório de Queiroz
15h30: Show com Felipe Dias
20h30: Shows com Zé Cocada & Cia e Cecílio Bocaiuva
22h30: Luau do Jequitinhonha com Paulinho Pedra Azul
0h: Forró com Swing.com
Domingo – 05 de abril (Dia Municipal do Rio Jequitinhonha)
9h: Cortejo da cultura popular
9h30: Terno de Catopês e Congado
10h: Comunidade Quilombola Macaúbas Palmito
10h30: Grupos culturais de Diamantina
11h: Grupos culturais de Turmalina
11h30: Grupo Saberes e Tradições da Lagoa
12h: Almoço com roda de música
15h: Santa Missa de Páscoa
Mobilização que gera futuro
Mais do que um evento, o Encontro “Salve o Rio Jequitinhonha” se consolida como um movimento de resistência, conscientização e construção de um modo de vida sustentável. Ao reunir cultura, debate e participação popular, a iniciativa fortalece o compromisso coletivo com a preservação do rio e com a qualidade de vida das comunidades que dele dependem.
Em Terra Branca, o Jequitinhonha não será apenas cenário — será protagonista de uma mobilização que une tradição, arte e responsabilidade ambiental.






