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Pacheco em segundo

Pecê Almeida Junior é jornalista e publicitário

PACHECO JÁ EM SEGUNDO

Mesmo sem ter oficializado seu nome como pré-candidato ao Governo de Minas, o senador Rodrigo Pacheco já aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a sucessão estadual. Possível candidato de Lula em Minas, Pacheco, segundo pesquisa F5 publicada nesta semana pelo jornal Estado de Minas, já soma 11% das intenções de voto no principal cenário estimulado.

LÍDER DISPARADO

O líder disparado segue sendo o senador Cleitinho (Republicanos), com 39%. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que foi candidato ao governo na eleição passada e, portanto, tem grande recall, aparece com 9%. O vice-governador Mateus Simões (PSD), candidato de Romeu Zema e já governador de Minas na prática, com intensa agenda de pré-campanha no interior e na capital, soma 4%. Em seguida, aparecem Gabriel Azevedo (MDB), com 2%, e Túlio Lopes (PCB), com 1%. Outros 19% disseram que votariam em branco ou nulo, enquanto 13% estão indecisos.

DEFINIÇÕES DE LULA E BOLSONARO

É evidente que, quando os eleitores souberem quem são os candidatos apoiados por Lula e Bolsonaro em Minas, as intenções de voto tenderão a se acomodar. Se Pacheco confirmar a candidatura, parte dos indecisos que aguardam a definição de Lula tende a migrar para ele, assim como uma parcela dos eleitores de Kalil que ainda associa o apoio do presidente ao ex-prefeito de Belo Horizonte na eleição de 2022.

PERFIS SEMELHANTES

Como Cleitinho e Bolsonaro dialogam com perfis semelhantes de eleitorado, boa parte do campo bolsonarista já se posiciona com o senador. Ele pode perder parte dessa votação caso o PL e seu candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, decidam apoiar e, principalmente, se empenhar na candidatura de Mateus Simões. A cada nova pesquisa, porém, as lideranças nacionais do bolsonarismo devem se fazer a mesma pergunta: como deixar um candidato como Cleitinho, que tem 39% das intenções de voto sem sequer ter colocado a campanha na rua, para apoiar outro, como Simões, que aparece com 4% mesmo em plena corrida eleitoral e com a máquina estadual nas mãos?

MESMO MOVIMENTO POLÍTICO

A questão se torna ainda mais intrigante quando se leva em conta que Cleitinho e Bolsonaro são produtos de um mesmo movimento político, enquanto Mateus Simões tem compromisso de apoiar exclusivamente a candidatura presidencial de Romeu Zema (Novo), e não a de Flávio Bolsonaro.

ANASTASIA EM 2010

Muita gente avalia que Mateus Simões ainda vai crescer nas pesquisas e faz analogia com a candidatura de Antônio Anastasia ao Governo de Minas, em 2010. Naquele momento, Anastasia era vice de Aécio Neves e exercia, assim como Simões hoje, papel central na administração estadual, sendo visto como uma espécie de gerente do governo, enquanto a Aécio cabia a representação política. Vamos aos números. Segundo diferentes institutos, em março de 2010, ano em que seria eleito, Anastasia tinha entre 17% e 20% das intenções de voto e ocupava a segunda colocação. O governo Aécio Neves, de acordo com pesquisa Datafolha realizada naquele mesmo mês, contava com aprovação de 73% entre os eleitores que o consideravam ótimo ou bom.

OUTRO FATOR

Naquela eleição, havia ainda outro fator relevante: Aécio foi candidato ao Senado, o que o colocou em praticamente todos os compromissos oficiais de Anastasia durante a campanha. Essa associação contribuiu para levar o então ex-vice-governador à vitória em primeiro turno sobre Hélio Costa (MDB). Há ainda uma diferença importante: ao contrário do que ocorre hoje, o campo da centro-direita não cogitava outro nome para o Governo de Minas que não fosse Anastasia. Não havia, no caminho do hoje ministro do Tribunal de Contas da União, um Cleitinho da vez.

SIMÕES EM 2026

Em março de 2026, Mateus Simões oscila entre 3% e 4%. O governo Zema tem avaliação ótimo ou bom de 45,7%, índice positivo, mas distante dos 73% alcançados por Aécio em 2010. Zema sustenta que será candidato à Presidência da República e, portanto, sua agenda tende a ser muito mais nacional do que estadual ao longo deste ano eleitoral. Isso significa que Mateus, como aliás já vem acontecendo, percorrerá Minas mais sozinho do que acompanhado por seu padrinho político e maior trunfo eleitoral. Se o PL integrar sua chapa e tiver candidato ao Senado, esse nome terá como prioridades pedir votos para si próprio e, em seguida, para Flávio Bolsonaro, deixando a campanha de Mateus em terceiro plano.

ELEITORADO SEMELHANTE

Como o eleitorado do PL é muito semelhante ao de Cleitinho, a tendência será a adoção de uma postura neutra em muitos municípios onde o senador estiver bem posicionado, sob o risco de perda de votos. O mesmo raciocínio vale para Marcelo Aro (PP), secretário de Estado de Governo e nome já definido para disputar o Senado na chapa de Mateus Simões. Apoiado também por prefeitos e lideranças que poderão estar com Rodrigo Pacheco, caso ele confirme candidatura, e com o presidente Lula, Aro, ao menos nesses palanques, dificilmente poderá pedir votos para o vice-governador.

CORRIDA CONTRA O TEMPO

À engenharia política do governo Zema e da campanha de Mateus Simões resta, portanto, trabalho intenso e corrida contra o tempo para tentar virar o jogo. O panorama, neste momento, é bastante complexo, apesar dos bons índices de aprovação do Executivo estadual.

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