{"id":3081,"date":"2026-07-24T11:00:23","date_gmt":"2026-07-24T14:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=3081"},"modified":"2026-07-24T11:00:23","modified_gmt":"2026-07-24T14:00:23","slug":"minas-em-risco-gigante-em-extensao-minas-gerais-se-apequena-na-hora-de-planejar-e-prevenir-desastres-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=3081","title":{"rendered":"MINAS EM RISCO: Gigante em extens\u00e3o, Minas Gerais se apequena na hora de planejar e prevenir desastres ambientais"},"content":{"rendered":"<div class=\"img-caption\" data-after=\"Territ\u00f3rio partido: no Sul, fortes e intensas chuvas; no Norte avan\u00e7o do processo de desertifica\u00e7\u00e3o - Imagem gerada por IA\"><img decoding=\"async\" class=\"imgNoticias\" title=\"Territ\u00f3rio partido: no Sul, fortes e intensas chuvas; no Norte avan\u00e7o do processo de desertifica\u00e7\u00e3o - Imagem gerada por IA\" src=\"https:\/\/www.tce.mg.gov.br\/ImagemDestaque\/1111629025.png\" alt=\"Territ\u00f3rio partido: no Sul, fortes e intensas chuvas; no Norte avan\u00e7o do processo de desertifica\u00e7\u00e3o - Imagem gerada por IA\" border=\"0\" data-src=\"https:\/\/www.tce.mg.gov.br\/ImagemDestaque\/1111629025.png\" \/><\/div>\n<p>Historicamente castigado por eventos clim\u00e1ticos extremos, que variam de secas severas no Norte do estado a inunda\u00e7\u00f5es devastadoras nas regi\u00f5es Central e Metropolitana, o territ\u00f3rio mineiro transformou-se em um tabuleiro de riscos permanentes.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora e professora no curso de Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade Federal de Itajub\u00e1 (Unifei), Michelle Sim\u00f5es Riboita, o Sul do estado sempre foi marcado por chuvas e clima \u00famido, enquanto o Norte pela escassez pluviom\u00e9trica e por condi\u00e7\u00f5es predominantemente secas.<\/p>\n<p>\u201cMas esses quadros intensificaram-se. Enquanto a desertifica\u00e7\u00e3o, provocada principalmente pelo uso incorreto dos solos, avan\u00e7a no Norte, no Sul as chuvas passaram a ser mais frequentes e intensas. Isso exige mudan\u00e7as, exige que o poder p\u00fablico adote medidas que considerem as altera\u00e7\u00f5es provocadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, alerta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Michele Riboita ressalta que o poder p\u00fablico precisa repensar o que vem sendo considerado prioridade, como o asfaltamento de vias, por exemplo. O asfalto convencional &#8211; composto por cerca de 95% de agregados minerais e 5% de ligante asf\u00e1ltico &#8211; impede que a \u00e1gua da chuva penetre no solo. Sem infiltra\u00e7\u00e3o natural, o volume de \u00e1gua que corre pela superf\u00edcie sobrecarrega rapidamente as galerias de esgoto e os bueiros, resultando em alagamentos r\u00e1pidos e enchentes destrutivas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, complementa a pesquisadora, o asfalto absorve intensamente a radia\u00e7\u00e3o solar, e essa absor\u00e7\u00e3o massiva \u00e9 a principal respons\u00e1vel pelo aumento dr\u00e1stico da temperatura nas cidades. \u201cPrecisamos de \u2018espa\u00e7os de resfriamento\u2019, como os parques e jardins, de pontos de hidrata\u00e7\u00e3o, da manuten\u00e7\u00e3o de bloquetes (que t\u00eam maior permeabilidade), de medidas que favore\u00e7am e incentivem a redu\u00e7\u00e3o de gases que intensificam o efeito estufa\u201d, afirma Riboita.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"imagem-destaque \" src=\"https:\/\/www.tce.mg.gov.br\/img\/2026\/Mat%C3%A9rias%20Marcilio\/desastres.jpg\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p><b>Prontid\u00e3o reativa<\/b><\/p>\n<p>A auditoria operacional do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) enveredou-se pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), revelando um \u00f3rg\u00e3o que opera no limite, em permanente estado de prontid\u00e3o reativa e carente de ferramentas institucionais e recursos financeiros para antecipar-se \u00e0s trag\u00e9dias provocadas por desastres naturais e tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>O TCEMG identificou que a Cedec, apesar de contar com corpo t\u00e9cnico qualificado e dedicado, opera sob um modelo de governan\u00e7a que privilegia a resposta p\u00f3s-desastre em detrimento da gest\u00e3o de riscos. O apontamento \u00e9 parte do diagn\u00f3stico que confirma e exp\u00f5e que a m\u00e1quina p\u00fablica mineira despende energia e recursos para remediar cen\u00e1rios de caos, perpetuando um ciclo vicioso de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>A falta de uma pol\u00edtica de Estado perene faz com que o \u00f3rg\u00e3o funcione como um pronto-socorro de grandes propor\u00e7\u00f5es, cujo sucesso \u00e9 medido pela rapidez em distribuir cestas b\u00e1sicas e lonas, e n\u00e3o pelo n\u00famero de desastres evitados ou mitigados atrav\u00e9s do planejamento de longo prazo.<\/p>\n<p>A necess\u00e1ria mudan\u00e7a no que deve ser considerado prioridade na gest\u00e3o p\u00fablica, diagnosticada no relat\u00f3rio do Tribunal, \u00e9 o caminho que a pesquisadora Michelle Riboita endossa. Segundo ela, a resposta r\u00e1pida, em situa\u00e7\u00f5es de crise, \u00e9 necess\u00e1ria. Mas n\u00e3o \u00e9 suficiente. O essencial \u00e9 adotar a preven\u00e7\u00e3o como premissa. \u201cE preciso parar de pensar no agora e olhar para frente, mirar no depois\u201d, sentencia.<\/p>\n<p><b>Or\u00e7amento estrangulado<\/b><\/p>\n<p>Um dos gargalos apontados pelo corpo t\u00e9cnico do Tribunal reside no subfinanciamento cr\u00f4nico e no estrangulamento or\u00e7ament\u00e1rio, o que elimina a possibilidade de a\u00e7\u00f5es preventivas da Defesa Civil Estadual. A an\u00e1lise or\u00e7ament\u00e1ria evidenciou que a fatia de recursos p\u00fablicos carimbada para obras de mitiga\u00e7\u00e3o, mapeamento de \u00e1reas de risco geol\u00f3gico e sistemas de alerta precoce \u00e9 \u00ednfima quando comparada aos repasses emergenciais liberados ap\u00f3s a decreta\u00e7\u00e3o de calamidades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Menosde 1,1% do or\u00e7amento executado pela Defesa Civil Estadual foi direcionado para as fases de preven\u00e7\u00e3o. O montante total empenhado nas a\u00e7\u00f5es preventivas chegou a R$ 3.327.971,60 (pouco mais de 3,3 milh\u00f5es de reais), englobando todo o per\u00edodo avaliado, entre os anos de 2020 e 2024.<\/p>\n<p>J\u00e1 a proje\u00e7\u00e3o do montante direcionado para resposta r\u00e1pida, assist\u00eancia humanit\u00e1ria e repara\u00e7\u00e3o emergencial gira em torno de R$ 299,2 milh\u00f5es dentro do mesmo per\u00edodo avaliado (2020\u20132024). Ou seja, aproximadamente 98,9% de toda a verba mobilizada pela Cedec ficou concentrada no p\u00f3s-desastre.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem-destaque \" src=\"https:\/\/www.tce.mg.gov.br\/img\/2026\/Mat%C3%A9rias%20Marcilio\/defesa%20civil.jpg\" alt=\"\" width=\"648\" height=\"445\" \/><\/p>\n<p><b>Efeito domin\u00f3<\/b><\/p>\n<p>A auditoria tamb\u00e9m lan\u00e7ou luz sobre o &#8220;apag\u00e3o&#8221; de dados, o que n\u00e3o justifica inteiramente a atua\u00e7\u00e3o prioritariamente reativa, mas a explica. O relat\u00f3rio do TCEMG revela que uma porcentagem expressiva dos munic\u00edpios mineiros possui mapeamentos que n\u00e3o condizem com os reais riscos. Sem mapas de suscetibilidade &#8211; estudos t\u00e9cnicos que indiquem quais \u00e1reas s\u00e3o mais vulner\u00e1veis a sofrerem desastres naturais ou impactos espec\u00edficos &#8211; confi\u00e1veis e sem integra\u00e7\u00e3o em tempo real com as an\u00e1lises geol\u00f3gicas nacionais, a Cedec e as administra\u00e7\u00f5es locais ficam severamente limitadas em sua capacidade de ordenar o uso do solo urbano e de emitir ordens de evacua\u00e7\u00e3o preventiva com a precis\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>O reflexo direto dessa desconex\u00e3o de dados \u00e9 o alarmante &#8220;efeito domin\u00f3&#8221; de fragilidades, que atinge as Coordenadorias Municipais de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil (Compdecs). O TCEMG constatou que a imensa maioria das cidades de pequeno e m\u00e9dio porte mineiras n\u00e3o disp\u00f5e de estruturas de Defesa Civil minimamente estruturadas. Faltam agentes dedicados exclusivamente \u00e0 fun\u00e7\u00e3o, treinamento continuado, viaturas adequadas, equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o e de monitoramento dos riscos locais. Ao desamparar a ponta mais fraca do sistema, o Estado sobrecarrega a coordena\u00e7\u00e3o central da Cedec, que se v\u00ea obrigada a assumir o papel de executor local em dezenas de ocorr\u00eancias simult\u00e2neas durante o per\u00edodo de chuvas.<\/p>\n<p>A insufici\u00eancia da rede de alerta e de capilaridade de comunica\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o representa outro cap\u00edtulo cr\u00edtico identificado pelo estudo do Tribunal de Contas. Embora existam tecnologias modernas de transmiss\u00e3o de alertas meteorol\u00f3gicos via SMS ou plataformas digitais, n\u00e3o h\u00e1 mensura\u00e7\u00e3o do alcance dessas mensagens. O relat\u00f3rio aponta que Minas Gerais falha em consolidar uma cultura de autoprote\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, onde os cidad\u00e3os saibam exatamente como interpretar os sinais da natureza, para onde fugir e como agir em cen\u00e1rios onde minutos separam a sobreviv\u00eancia da letalidade.<\/p>\n<p>A auditoria do TCEMG detectou ainda falhas severas de articula\u00e7\u00e3o entre a Cedec e outros bra\u00e7os fundamentais do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos (Sisema), como o Instituto Mineiro de Gest\u00e3o das \u00c1guas (Igam). A fragmenta\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias faz com que os dados hidrol\u00f3gicos e as previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas geradas pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais n\u00e3o se traduzam, de forma automatizada e c\u00e9lere, em protocolos operacionais de Defesa Civil.<\/p>\n<p>O aspecto regulat\u00f3rio tamb\u00e9m foi alvo de cr\u00edticas, uma vez que Minas Gerais carece de uma atualiza\u00e7\u00e3o profunda em seu Plano Estadual de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil. O documento norteador das a\u00e7\u00f5es do estado encontra-se defasado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novas diretrizes globais do\u00a0<b><a href=\"https:\/\/educacao.cemaden.gov.br\/midiateca\/marco-de-sendai-para-a-reducao-do-risco-de-desastre-2015-2030\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marco de Sendai para a Redu\u00e7\u00e3o do Risco de Desastres (2015-2030)<\/a>,<\/b>\u00a0documento internacional adotado pelos estados-membros da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) que estabelece as diretrizes globais para prevenir e reduzir os riscos de cat\u00e1strofes; do qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio.<\/p>\n<p>Essa desconex\u00e3o normativa impede que o estado capte recursos internacionais substanciais de fundos de financiamento clim\u00e1tico e resili\u00eancia urbana, que exigem projetos estruturados sob r\u00edgidos padr\u00f5es globais de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as do clima.<\/p>\n<p>FONTE: TCEMG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historicamente castigado por eventos clim\u00e1ticos extremos, que variam de secas severas no Norte do estado a inunda\u00e7\u00f5es devastadoras nas regi\u00f5es Central e Metropolitana, o territ\u00f3rio mineiro transformou-se em um tabuleiro de riscos permanentes. De acordo com a pesquisadora e professora no curso de Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade Federal de Itajub\u00e1 (Unifei), Michelle Sim\u00f5es Riboita, o Sul do estado sempre foi marcado por chuvas e clima \u00famido, enquanto o Norte pela escassez pluviom\u00e9trica e por condi\u00e7\u00f5es predominantemente secas. \u201cMas esses quadros intensificaram-se. Enquanto a desertifica\u00e7\u00e3o, provocada principalmente pelo uso incorreto dos solos, avan\u00e7a no Norte, no Sul as chuvas passaram a ser mais frequentes e intensas. Isso exige mudan\u00e7as, exige que o poder p\u00fablico adote medidas que considerem as altera\u00e7\u00f5es provocadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, alerta a pesquisadora. Michele Riboita ressalta que o poder p\u00fablico precisa repensar o que vem sendo considerado prioridade, como o asfaltamento de vias, por exemplo. O asfalto convencional &#8211; composto por cerca de 95% de agregados minerais e 5% de ligante asf\u00e1ltico &#8211; impede que a \u00e1gua da chuva penetre no solo. Sem infiltra\u00e7\u00e3o natural, o volume de \u00e1gua que corre pela superf\u00edcie sobrecarrega rapidamente as galerias de esgoto e os bueiros, resultando em alagamentos r\u00e1pidos e enchentes destrutivas. Al\u00e9m disso, complementa a pesquisadora, o asfalto absorve intensamente a radia\u00e7\u00e3o solar, e essa absor\u00e7\u00e3o massiva \u00e9 a principal respons\u00e1vel pelo aumento dr\u00e1stico da temperatura nas cidades. \u201cPrecisamos de \u2018espa\u00e7os de resfriamento\u2019, como os parques e jardins, de pontos de hidrata\u00e7\u00e3o, da manuten\u00e7\u00e3o de bloquetes (que t\u00eam maior permeabilidade), de medidas que favore\u00e7am e incentivem a redu\u00e7\u00e3o de gases que intensificam o efeito estufa\u201d, afirma Riboita. Prontid\u00e3o reativa A auditoria operacional do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) enveredou-se pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), revelando um \u00f3rg\u00e3o que opera no limite, em permanente estado de prontid\u00e3o reativa e carente de ferramentas institucionais e recursos financeiros para antecipar-se \u00e0s trag\u00e9dias provocadas por desastres naturais e tecnol\u00f3gicos. O TCEMG identificou que a Cedec, apesar de contar com corpo t\u00e9cnico qualificado e dedicado, opera sob um modelo de governan\u00e7a que privilegia a resposta p\u00f3s-desastre em detrimento da gest\u00e3o de riscos. O apontamento \u00e9 parte do diagn\u00f3stico que confirma e exp\u00f5e que a m\u00e1quina p\u00fablica mineira despende energia e recursos para remediar cen\u00e1rios de caos, perpetuando um ciclo vicioso de vulnerabilidade. A falta de uma pol\u00edtica de Estado perene faz com que o \u00f3rg\u00e3o funcione como um pronto-socorro de grandes propor\u00e7\u00f5es, cujo sucesso \u00e9 medido pela rapidez em distribuir cestas b\u00e1sicas e lonas, e n\u00e3o pelo n\u00famero de desastres evitados ou mitigados atrav\u00e9s do planejamento de longo prazo. A necess\u00e1ria mudan\u00e7a no que deve ser considerado prioridade na gest\u00e3o p\u00fablica, diagnosticada no relat\u00f3rio do Tribunal, \u00e9 o caminho que a pesquisadora Michelle Riboita endossa. Segundo ela, a resposta r\u00e1pida, em situa\u00e7\u00f5es de crise, \u00e9 necess\u00e1ria. Mas n\u00e3o \u00e9 suficiente. O essencial \u00e9 adotar a preven\u00e7\u00e3o como premissa. \u201cE preciso parar de pensar no agora e olhar para frente, mirar no depois\u201d, sentencia. Or\u00e7amento estrangulado Um dos gargalos apontados pelo corpo t\u00e9cnico do Tribunal reside no subfinanciamento cr\u00f4nico e no estrangulamento or\u00e7ament\u00e1rio, o que elimina a possibilidade de a\u00e7\u00f5es preventivas da Defesa Civil Estadual. A an\u00e1lise or\u00e7ament\u00e1ria evidenciou que a fatia de recursos p\u00fablicos carimbada para obras de mitiga\u00e7\u00e3o, mapeamento de \u00e1reas de risco geol\u00f3gico e sistemas de alerta precoce \u00e9 \u00ednfima quando comparada aos repasses emergenciais liberados ap\u00f3s a decreta\u00e7\u00e3o de calamidades p\u00fablicas. Menosde 1,1% do or\u00e7amento executado pela Defesa Civil Estadual foi direcionado para as fases de preven\u00e7\u00e3o. O montante total empenhado nas a\u00e7\u00f5es preventivas chegou a R$ 3.327.971,60 (pouco mais de 3,3 milh\u00f5es de reais), englobando todo o per\u00edodo avaliado, entre os anos de 2020 e 2024. J\u00e1 a proje\u00e7\u00e3o do montante direcionado para resposta r\u00e1pida, assist\u00eancia humanit\u00e1ria e repara\u00e7\u00e3o emergencial gira em torno de R$ 299,2 milh\u00f5es dentro do mesmo per\u00edodo avaliado (2020\u20132024). Ou seja, aproximadamente 98,9% de toda a verba mobilizada pela Cedec ficou concentrada no p\u00f3s-desastre. Efeito domin\u00f3 A auditoria tamb\u00e9m lan\u00e7ou luz sobre o &#8220;apag\u00e3o&#8221; de dados, o que n\u00e3o justifica inteiramente a atua\u00e7\u00e3o prioritariamente reativa, mas a explica. O relat\u00f3rio do TCEMG revela que uma porcentagem expressiva dos munic\u00edpios mineiros possui mapeamentos que n\u00e3o condizem com os reais riscos. Sem mapas de suscetibilidade &#8211; estudos t\u00e9cnicos que indiquem quais \u00e1reas s\u00e3o mais vulner\u00e1veis a sofrerem desastres naturais ou impactos espec\u00edficos &#8211; confi\u00e1veis e sem integra\u00e7\u00e3o em tempo real com as an\u00e1lises geol\u00f3gicas nacionais, a Cedec e as administra\u00e7\u00f5es locais ficam severamente limitadas em sua capacidade de ordenar o uso do solo urbano e de emitir ordens de evacua\u00e7\u00e3o preventiva com a precis\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica necess\u00e1ria. O reflexo direto dessa desconex\u00e3o de dados \u00e9 o alarmante &#8220;efeito domin\u00f3&#8221; de fragilidades, que atinge as Coordenadorias Municipais de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil (Compdecs). O TCEMG constatou que a imensa maioria das cidades de pequeno e m\u00e9dio porte mineiras n\u00e3o disp\u00f5e de estruturas de Defesa Civil minimamente estruturadas. Faltam agentes dedicados exclusivamente \u00e0 fun\u00e7\u00e3o, treinamento continuado, viaturas adequadas, equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o e de monitoramento dos riscos locais. Ao desamparar a ponta mais fraca do sistema, o Estado sobrecarrega a coordena\u00e7\u00e3o central da Cedec, que se v\u00ea obrigada a assumir o papel de executor local em dezenas de ocorr\u00eancias simult\u00e2neas durante o per\u00edodo de chuvas. A insufici\u00eancia da rede de alerta e de capilaridade de comunica\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o representa outro cap\u00edtulo cr\u00edtico identificado pelo estudo do Tribunal de Contas. Embora existam tecnologias modernas de transmiss\u00e3o de alertas meteorol\u00f3gicos via SMS ou plataformas digitais, n\u00e3o h\u00e1 mensura\u00e7\u00e3o do alcance dessas mensagens. O relat\u00f3rio aponta que Minas Gerais falha em consolidar uma cultura de autoprote\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, onde os cidad\u00e3os saibam exatamente como interpretar os sinais da natureza, para onde fugir e como agir em cen\u00e1rios onde minutos separam a sobreviv\u00eancia da letalidade. A auditoria do TCEMG detectou ainda falhas severas de articula\u00e7\u00e3o entre a Cedec e outros bra\u00e7os fundamentais do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos (Sisema), como o Instituto Mineiro de Gest\u00e3o das \u00c1guas (Igam). 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