{"id":3060,"date":"2026-07-21T08:10:26","date_gmt":"2026-07-21T11:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=3060"},"modified":"2026-07-21T08:10:26","modified_gmt":"2026-07-21T11:10:26","slug":"auditoria-do-tcemg-alerta-estado-gasta-mais-para-limpar-escombros-do-que-para-prevenir-desastres-causados-por-condicoes-climaticas-extremas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=3060","title":{"rendered":"Auditoria do TCEMG alerta: Estado gasta mais para &#8220;limpar escombros&#8221; do que para prevenir desastres causados por condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas"},"content":{"rendered":"<div>\n<div><img decoding=\"async\" class=\"CToWUd\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NauS2WGEARC5wjx1EviyoE6WBlM4wFDlD2ln0lpLbE9Jf8NKjRS-oGwR2ZyYbO0i0QTdzlrp6AqFaXbP3psyR3pZZDkyzDHK9o8yOLoVd7Qr317a29GcWx6L0sRJ9OJiEGYTDOYX7ZCe167prw8YutUQw=s0-d-e1-ft#https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/frontend\/assets\/files\/customer\/sf719vo39fdce\/e\/1111629017.jpg\" alt=\"\" data-bit=\"iit\" \/><img decoding=\"async\" class=\"CToWUd a6T\" tabindex=\"0\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NZrw1CClUmOiTRcQl-enr1xcJgsBwbBRLYpCumlTMf3lgjWiTQo4KhLziIqR6WrmLvPLZrBPOVdLVSgtOGX8Pl-tQJi0dZFnZ8AYqqs5iWyWDYS_XFi2atS4OR-TS3yS9Jnsf8fAR6xkb44FLtLNSY=s0-d-e1-ft#https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/frontend\/assets\/files\/customer\/sf719vo39fdce\/1111629017.jpg\" alt=\"\" data-bit=\"iit\" \/><\/div>\n<p>Em 2025, Minas Gerais registrou 520 desastres provocados por condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas. O dado oficial \u00e9 gerado pela Secretaria Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil, \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento Regional, e est\u00e1 dispon\u00edvel no\u00a0<a href=\"https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/campaigns\/db067d2ns9c49\/track-url\/dr020pm1hz1de\/df9ba73c59cbd4469e8c9270864982e8e02ebf8d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/campaigns\/db067d2ns9c49\/track-url\/dr020pm1hz1de\/df9ba73c59cbd4469e8c9270864982e8e02ebf8d&amp;source=gmail&amp;ust=1784718363012000&amp;usg=AOvVaw08ujk0ViM_i4G5Dob6ohZX\">Atlas Digital de Desastres no Brasil<\/a>, ferramenta para consulta de informa\u00e7\u00f5es sobre desastres ambientais no Brasil.<\/p>\n<p>Esses desastres provocaram 16 mortes, deixaram 111 pessoas feridas e enfermas e 9.486 desabrigadas\/desalojadas. Ainda de acordo com as informa\u00e7\u00f5es do Atlas Digital de Desastres, 748,8 mil mineiros e mineiras foram diretamente impactado\/as: perderam a moradia ou tiveram que ser retirados\/as das resid\u00eancias por risco iminente; ficaram feridos\/as; a sa\u00fade foi prejudicada ou perderam a fonte de renda.<\/p>\n<p>Minas Gerais \u00e9 a unidade da federa\u00e7\u00e3o com o maior n\u00famero de munic\u00edpios em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade a desastres, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o. S\u00e3o 283 munic\u00edpios nessas condi\u00e7\u00f5es, o que representa 33,17% das 853 cidades mineiras. O estado est\u00e1 \u00e0 frente de Santa Catarina e S\u00e3o Paulo, que t\u00eam, respectivamente, 200 e 170 munic\u00edpios, em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 mineira.<\/p>\n<p>Quest\u00f5es naturais, como a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, o clima e o relevo favorecem a ocorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos no estado. Mas o que mais pesa na balan\u00e7a da crise s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es humanas. Atividades como o desmatamento, queimadas, o uso desenfreado de combust\u00edveis f\u00f3sseis e do solo, a degrada\u00e7\u00e3o vegetal, a urbaniza\u00e7\u00e3o descontrolada e o aumento de lix\u00f5es t\u00eam contribu\u00eddo para acentuar aumentar a temperatura no planeta e intensificar eventos clim\u00e1ticos extremos, como secas severas, fortes ondas de calor, chuvas intensas, enchentes e deslizamentos de terra, em curtos per\u00edodo de tempo.<\/p>\n<p>\u201cO efeito estufa aparece, em discursos e opini\u00f5es, como vil\u00e3o, ou seja, como causa para os eventos clim\u00e1ticos extremos. Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 bem assim. O efeito estufa \u00e9 um fen\u00f4meno natural, essencial \u00e0 vida em nosso planeta. Sem ele, a temperatura por aqui seria de aproximadamente 18 \u00b0 C negativos\u201d, explica a pesquisadora Michelle Sim\u00f5es Reboita, professora no curso de Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade Federal de Itajub\u00e1 (Unifei).<\/p>\n<p><b>Diretrizes e crise clim\u00e1tica<\/b><\/p>\n<p>Michelle Reboita esteve entre o grupo de pesquisadores e pesquisadoras que participou da elabora\u00e7\u00e3o de um documento intitulado\u00a0<a href=\"https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/campaigns\/db067d2ns9c49\/track-url\/dr020pm1hz1de\/8674a65be599446d6d7b23105b4b75a841da2c53\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/campaigns\/db067d2ns9c49\/track-url\/dr020pm1hz1de\/8674a65be599446d6d7b23105b4b75a841da2c53&amp;source=gmail&amp;ust=1784718363012000&amp;usg=AOvVaw1muKvHqtoItXYS0cAgJrp7\">\u201cDiretrizes para conviver com a crise clim\u00e1tica\u201d<\/a>, gerado a partir de mobiliza\u00e7\u00e3o realizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O documento \u00e9 um termo de refer\u00eancia que sugere como as prefeituras devem agir para enfrentar o que \u00e9 hoje inevit\u00e1vel: eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n<p>\u201cO poder p\u00fablico, em especial as prefeituras, \u00e9 essencial no enfrentamento dos fen\u00f4menos da crise clim\u00e1tica. N\u00e3o h\u00e1 como frear, por exemplo, o aquecimento global, mesmo que a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa chegasse a zero. Esses gases permanecem na atmosfera por s\u00e9culos\u201d, explica a pesquisadora, que tem se dedicado ao letramento ambiental como forma de ampliar o debate sobre o tema. Michele Reboita mant\u00e9m um\u00a0<a href=\"https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/campaigns\/db067d2ns9c49\/track-url\/dr020pm1hz1de\/16fc171cdbbbdf479b3c0b37de3871b1d7cc1639\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/campaigns\/db067d2ns9c49\/track-url\/dr020pm1hz1de\/16fc171cdbbbdf479b3c0b37de3871b1d7cc1639&amp;source=gmail&amp;ust=1784718363012000&amp;usg=AOvVaw1UkOzblf0W4vLgdPuFg_K8\">blog<\/a>\u00a0por meio do qual analisa as causas e efeitos de chuvas e secas, sobretudo no estado de Minas Gerais. \u201cA gente precisa qualificar o debate. A ci\u00eancia j\u00e1 fez o diagn\u00f3stico e apontou o que precisamos fazer. O que falta agora \u00e9 vontade pol\u00edtica\u201d, ressalta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"CToWUd\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NbSogdpNE6vbFJ8IQwqGeap6msWQrhM4zGhNs-1vGqjAfoB7MTrggsp61pVt6cA02Lnnlj5Po3qNiBT1BKr3PFxrmg9NVquqfy6lS9_1HIMaaCbLhFE6XL_40aP57QLqeORJ44U0Nr2D8d0tNQYzP7lWijecVH9=s0-d-e1-ft#https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/frontend\/assets\/files\/customer\/sf719vo39fdce\/e\/imagem-1-centro.jpg\" alt=\"\" data-bit=\"iit\" \/><img decoding=\"async\" class=\"CToWUd a6T\" tabindex=\"0\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NathDP4KnUIzNaqBfk_2VEeGBEb0d1W2Jx3519T3aB3EnaF95CyLNSy5ioBx19tnFaPZYirAGWUAVh-jESoey2WzERATWxHzFJ2tPIlmt_D3SVkh0jIR9X6kxzZlv4y4wIHdyyYP6rfTP7nTEiqe9RoLaZrWw=s0-d-e1-ft#https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/frontend\/assets\/files\/customer\/sf719vo39fdce\/imagem-1-centro.jpg\" alt=\"\" data-bit=\"iit\" \/><\/p>\n<p>O poder p\u00fablico precisa atuar na preven\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o, prepara\u00e7\u00e3o, resposta e recupera\u00e7\u00e3o. Isso envolve mapear \u00e1reas de risco, emitir alertas antecipados, garantir socorro imediato \u00e0s v\u00edtimas, abrigar desabrigados e reconstruir a infraestrutura danificada com seguran\u00e7a. No Brasil, essas atribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o compartilhadas entre os tr\u00eas n\u00edveis do executivo (Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios) por meio da Pol\u00edtica Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil\u00a0<a href=\"https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/campaigns\/db067d2ns9c49\/track-url\/dr020pm1hz1de\/bbf8e4ac421dd6ebe4950b66296101c2f710c39b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/campaigns\/db067d2ns9c49\/track-url\/dr020pm1hz1de\/bbf8e4ac421dd6ebe4950b66296101c2f710c39b&amp;source=gmail&amp;ust=1784718363012000&amp;usg=AOvVaw0Dtetwe89MXxBAQcAJ8NHp\">(Lei n\u00ba 12.608\/2012).<\/a><\/p>\n<p><b>Fora da ordem<\/b><\/p>\n<p>Relat\u00f3rio produzido pela equipe t\u00e9cnica do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) reitera a necessidade \u201cde a\u00e7\u00f5es e medidas articuladas (&#8230;) para a redu\u00e7\u00e3o dos riscos ou desastres\u201d. O documento \u00e9 o resultado de uma auditoria operacional sobre a gest\u00e3o de risco de desastres relacionados \u00e0s chuvas extremas no estado. O trabalho buscou informa\u00e7\u00f5es junto aos 853 munic\u00edpios mineiros por question\u00e1rio, consultou as 18 regionais de defesa civil e visitou 11 cidades em campo.<\/p>\n<p>\u201cOs desastres por eventos extremos est\u00e3o mais frequentes e intensos. Esse contexto, associado \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas vulner\u00e1veis, justificam a realiza\u00e7\u00e3o dessa auditoria\u201d, esclarece o supervisor do relat\u00f3rio final da auditoria operacional, Ryan Brwnner Pereira. \u201cTais eventos extremos demandam toda a aten\u00e7\u00e3o da sociedade e do poder p\u00fablico\u201d, complementa Ryan Pereira, que \u00e9 coordenador de Auditoria Operacional e Avalia\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas no TCEMG.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"CToWUd a6T\" tabindex=\"0\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NZSkjDlhqfybKbg1Vly1Tfty9PouZXyz6NgY5e6KPsytILVVQcsThYJS0VrhwrqTjiiFDqdKzsEyQ9pwwgRAgAV-PrwUKyE1QH4GfWJsptBj22m-S8sUiS9T266CegV5lGDROkCr8QqclcM2oZfmRBpGBR_Tw=s0-d-e1-ft#https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/frontend\/assets\/files\/customer\/sf719vo39fdce\/imagem-2-centro.jpg\" alt=\"\" data-bit=\"iit\" \/><\/p>\n<p>A auditoria lan\u00e7a luz sobre uma escolha que custa caro para a sociedade mineira. Entre 2012 e 2025, Minas e seus munic\u00edpios empenharam aproximadamente R$ 462 milh\u00f5es em preven\u00e7\u00e3o e R$ 823 milh\u00f5es em resposta e recupera\u00e7\u00e3o. Ou seja: gasta-se quase o dobro para limpar os escombros, quando uma estrat\u00e9gia mais efetiva seria adotar medidas para prever os desastres e mitigar seus efeitos.<\/p>\n<p>Outro estudo, realizado pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e citado no relat\u00f3rio do TCEMG, estimou que, s\u00f3 entre 2020 e 2023, os desastres provocados pelas chuvas causaram R$ 4,39 bilh\u00f5es em preju\u00edzos no estado, com impacto negativo de 0,7% no PIB estadual.<\/p>\n<p>No ano passado, dos 520 desastres ambientais registrados em Minas Gerais, 216 foram causados por fortes chuvas, 154 por longos per\u00edodos de seca e estiagem, 42 por vendavais e ciclones e 28 por inc\u00eandios florestais.<\/p>\n<p>\u201cA preven\u00e7\u00e3o deve ser entendida como eixo estruturante e dentro deste conceito cabe ao governo do estado mapear \u00e1reas de risco, monitorar o clima e apoiar os munic\u00edpios\u201d, sentencia o coordenador da auditoria operacional do TCEMG.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"CToWUd a6T\" tabindex=\"0\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NZ-ATlvBEZxC71L338qSKV9aTWaTuXQ3x5atjEaW0HCXlQTM7DStotLBKp5_eVUH2xl7BmDC6AnzLdlGk71lOZahYr-6bVvSUYHPJSyuoheGg4XLLlRVisJpvSiM9od0FrTwUIHaNPNkDTI_txpUeUUr4PXrE8=s0-d-e1-ft#https:\/\/tce.homemurbano.com.br\/frontend\/assets\/files\/customer\/sf719vo39fdce\/grafico-3-centro.jpg\" alt=\"\" data-bit=\"iit\" \/><\/p>\n<p><b>Cen\u00e1rio preocupante<\/b><\/p>\n<p>A auditoria realizada pela Corte de Contas apontou que o governo estadual prioriza o socorro no p\u00f3s-trag\u00e9dia em vez de investir em preven\u00e7\u00e3o, destinando menos de 1,1% do or\u00e7amento para as a\u00e7\u00f5es preventivas.<\/p>\n<p>Com poucos recursos para as a\u00e7\u00f5es preventivas, os mapas, que indicam \u00e1reas de risco, est\u00e3o desatualizados e incompletos em todo o territ\u00f3rio estadual, indica o relat\u00f3rio. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 esta\u00e7\u00f5es suficientes para o monitoramento das condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e dos rios (hidrol\u00f3gicas) e as que existem est\u00e3o mal distribu\u00eddas.<\/p>\n<p>Outro achado da auditoria \u00e9 sobre os sistemas de alerta e monitoramento, que operam de forma insuficiente, com baixa manuten\u00e7\u00e3o. O monitoramento de rios e chuvas tamb\u00e9m \u00e9 insuficiente, e a maioria das cidades n\u00e3o emite alertas locais. Al\u00e9m disso, persistem os riscos de seguran\u00e7a h\u00eddrica na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) devido \u00e0 falta de planos emergenciais eficazes para o abastecimento de \u00e1gua em caso de novos rompimentos de barragens de rejeitos.<\/p>\n<p>Essa desarticula\u00e7\u00e3o chega \u00e0 ponta: 44% dos munic\u00edpios n\u00e3o possuem agentes capacitados e v\u00e1rias Coordenadorias Regionais falham em realizar a\u00e7\u00f5es preventivas b\u00e1sicas; faltam medidas estrat\u00e9gicas, como um fundo financeiro espec\u00edfico para a Defesa Civil.<\/p>\n<p><b>Por dentro das planilhas<\/b><\/p>\n<p>A coordenadoria de Imprensa do TCEMG d\u00e1 continuidade, a partir de amanh\u00e3, a esta s\u00e9rie de reportagens, denominada \u201cMinas em Risco\u201d. A partir do relat\u00f3rio t\u00e9cnico da auditoria operacional, outras quatro reportagens ser\u00e3o divulgadas. A primeira mira no diagn\u00f3stico da atua\u00e7\u00e3o da Defesa Civil, incluindo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC) no estado, vinculada ao Gabinete Militar do Governador, e o apoio do Corpo de Bombeiros Militar.<\/p>\n<p>A segunda reportagem se debru\u00e7a sobre a atua\u00e7\u00e3o do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos. A proposta \u00e9 escanear a atua\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os que integram o Sistema: a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, a Funda\u00e7\u00e3o Estadual do Meio Ambiente (Feam) e o Instituto Mineiro de Gest\u00e3o de \u00c1guas (Igam).<\/p>\n<p>A reportagem seguinte trata da governan\u00e7a e transpar\u00eancia na gest\u00e3o dos decretos de emerg\u00eancia e calamidade e a aplica\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos. E por que isso \u00e9 importante? A exist\u00eancia de decretos de anormalidade em grande escala e a aus\u00eancia de um sistema ou uma rede de informa\u00e7\u00f5es integrada, em Minas Gerais, inviabiliza o rastreamento dos repasses financeiros e a defini\u00e7\u00e3o de prioridades or\u00e7ament\u00e1rias.<\/p>\n<p>E a \u00faltima das reportagens vai expor uma revela\u00e7\u00e3o contundente da auditoria do TCEMG: como \u00e9 que funciona a prioriza\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria em um cen\u00e1rio de grande desorganiza\u00e7\u00e3o sist\u00eamica e informacional.<\/p>\n<p>Fonte: TCEMG<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2025, Minas Gerais registrou 520 desastres provocados por condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas. O dado oficial \u00e9 gerado pela Secretaria Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil, \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento Regional, e est\u00e1 dispon\u00edvel no\u00a0Atlas Digital de Desastres no Brasil, ferramenta para consulta de informa\u00e7\u00f5es sobre desastres ambientais no Brasil. Esses desastres provocaram 16 mortes, deixaram 111 pessoas feridas e enfermas e 9.486 desabrigadas\/desalojadas. Ainda de acordo com as informa\u00e7\u00f5es do Atlas Digital de Desastres, 748,8 mil mineiros e mineiras foram diretamente impactado\/as: perderam a moradia ou tiveram que ser retirados\/as das resid\u00eancias por risco iminente; ficaram feridos\/as; a sa\u00fade foi prejudicada ou perderam a fonte de renda. Minas Gerais \u00e9 a unidade da federa\u00e7\u00e3o com o maior n\u00famero de munic\u00edpios em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade a desastres, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o. S\u00e3o 283 munic\u00edpios nessas condi\u00e7\u00f5es, o que representa 33,17% das 853 cidades mineiras. O estado est\u00e1 \u00e0 frente de Santa Catarina e S\u00e3o Paulo, que t\u00eam, respectivamente, 200 e 170 munic\u00edpios, em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 mineira. Quest\u00f5es naturais, como a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, o clima e o relevo favorecem a ocorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos no estado. Mas o que mais pesa na balan\u00e7a da crise s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es humanas. Atividades como o desmatamento, queimadas, o uso desenfreado de combust\u00edveis f\u00f3sseis e do solo, a degrada\u00e7\u00e3o vegetal, a urbaniza\u00e7\u00e3o descontrolada e o aumento de lix\u00f5es t\u00eam contribu\u00eddo para acentuar aumentar a temperatura no planeta e intensificar eventos clim\u00e1ticos extremos, como secas severas, fortes ondas de calor, chuvas intensas, enchentes e deslizamentos de terra, em curtos per\u00edodo de tempo. \u201cO efeito estufa aparece, em discursos e opini\u00f5es, como vil\u00e3o, ou seja, como causa para os eventos clim\u00e1ticos extremos. Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 bem assim. O efeito estufa \u00e9 um fen\u00f4meno natural, essencial \u00e0 vida em nosso planeta. Sem ele, a temperatura por aqui seria de aproximadamente 18 \u00b0 C negativos\u201d, explica a pesquisadora Michelle Sim\u00f5es Reboita, professora no curso de Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade Federal de Itajub\u00e1 (Unifei). Diretrizes e crise clim\u00e1tica Michelle Reboita esteve entre o grupo de pesquisadores e pesquisadoras que participou da elabora\u00e7\u00e3o de um documento intitulado\u00a0\u201cDiretrizes para conviver com a crise clim\u00e1tica\u201d, gerado a partir de mobiliza\u00e7\u00e3o realizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O documento \u00e9 um termo de refer\u00eancia que sugere como as prefeituras devem agir para enfrentar o que \u00e9 hoje inevit\u00e1vel: eventos clim\u00e1ticos extremos. \u201cO poder p\u00fablico, em especial as prefeituras, \u00e9 essencial no enfrentamento dos fen\u00f4menos da crise clim\u00e1tica. N\u00e3o h\u00e1 como frear, por exemplo, o aquecimento global, mesmo que a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa chegasse a zero. Esses gases permanecem na atmosfera por s\u00e9culos\u201d, explica a pesquisadora, que tem se dedicado ao letramento ambiental como forma de ampliar o debate sobre o tema. Michele Reboita mant\u00e9m um\u00a0blog\u00a0por meio do qual analisa as causas e efeitos de chuvas e secas, sobretudo no estado de Minas Gerais. \u201cA gente precisa qualificar o debate. A ci\u00eancia j\u00e1 fez o diagn\u00f3stico e apontou o que precisamos fazer. O que falta agora \u00e9 vontade pol\u00edtica\u201d, ressalta. O poder p\u00fablico precisa atuar na preven\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o, prepara\u00e7\u00e3o, resposta e recupera\u00e7\u00e3o. Isso envolve mapear \u00e1reas de risco, emitir alertas antecipados, garantir socorro imediato \u00e0s v\u00edtimas, abrigar desabrigados e reconstruir a infraestrutura danificada com seguran\u00e7a. No Brasil, essas atribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o compartilhadas entre os tr\u00eas n\u00edveis do executivo (Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios) por meio da Pol\u00edtica Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil\u00a0(Lei n\u00ba 12.608\/2012). Fora da ordem Relat\u00f3rio produzido pela equipe t\u00e9cnica do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) reitera a necessidade \u201cde a\u00e7\u00f5es e medidas articuladas (&#8230;) para a redu\u00e7\u00e3o dos riscos ou desastres\u201d. O documento \u00e9 o resultado de uma auditoria operacional sobre a gest\u00e3o de risco de desastres relacionados \u00e0s chuvas extremas no estado. O trabalho buscou informa\u00e7\u00f5es junto aos 853 munic\u00edpios mineiros por question\u00e1rio, consultou as 18 regionais de defesa civil e visitou 11 cidades em campo. \u201cOs desastres por eventos extremos est\u00e3o mais frequentes e intensos. Esse contexto, associado \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas vulner\u00e1veis, justificam a realiza\u00e7\u00e3o dessa auditoria\u201d, esclarece o supervisor do relat\u00f3rio final da auditoria operacional, Ryan Brwnner Pereira. \u201cTais eventos extremos demandam toda a aten\u00e7\u00e3o da sociedade e do poder p\u00fablico\u201d, complementa Ryan Pereira, que \u00e9 coordenador de Auditoria Operacional e Avalia\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas no TCEMG. A auditoria lan\u00e7a luz sobre uma escolha que custa caro para a sociedade mineira. Entre 2012 e 2025, Minas e seus munic\u00edpios empenharam aproximadamente R$ 462 milh\u00f5es em preven\u00e7\u00e3o e R$ 823 milh\u00f5es em resposta e recupera\u00e7\u00e3o. Ou seja: gasta-se quase o dobro para limpar os escombros, quando uma estrat\u00e9gia mais efetiva seria adotar medidas para prever os desastres e mitigar seus efeitos. Outro estudo, realizado pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e citado no relat\u00f3rio do TCEMG, estimou que, s\u00f3 entre 2020 e 2023, os desastres provocados pelas chuvas causaram R$ 4,39 bilh\u00f5es em preju\u00edzos no estado, com impacto negativo de 0,7% no PIB estadual. No ano passado, dos 520 desastres ambientais registrados em Minas Gerais, 216 foram causados por fortes chuvas, 154 por longos per\u00edodos de seca e estiagem, 42 por vendavais e ciclones e 28 por inc\u00eandios florestais. \u201cA preven\u00e7\u00e3o deve ser entendida como eixo estruturante e dentro deste conceito cabe ao governo do estado mapear \u00e1reas de risco, monitorar o clima e apoiar os munic\u00edpios\u201d, sentencia o coordenador da auditoria operacional do TCEMG. Cen\u00e1rio preocupante A auditoria realizada pela Corte de Contas apontou que o governo estadual prioriza o socorro no p\u00f3s-trag\u00e9dia em vez de investir em preven\u00e7\u00e3o, destinando menos de 1,1% do or\u00e7amento para as a\u00e7\u00f5es preventivas. Com poucos recursos para as a\u00e7\u00f5es preventivas, os mapas, que indicam \u00e1reas de risco, est\u00e3o desatualizados e incompletos em todo o territ\u00f3rio estadual, indica o relat\u00f3rio. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 esta\u00e7\u00f5es suficientes para o monitoramento das condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e dos rios (hidrol\u00f3gicas) e as que existem est\u00e3o mal distribu\u00eddas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3061,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[342,35,11,12,90,341],"tags":[686,685,684],"class_list":["post-3060","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente","category-minas-gerais","category-politica","category-regional","category-seguranca","category-social","tag-alertas","tag-desastres-naturais","tag-efeito-estufa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3060","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3060"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3060\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3062,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3060\/revisions\/3062"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3061"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3060"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3060"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3060"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}