{"id":2987,"date":"2026-06-30T08:46:42","date_gmt":"2026-06-30T11:46:42","guid":{"rendered":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=2987"},"modified":"2026-06-30T08:46:42","modified_gmt":"2026-06-30T11:46:42","slug":"do-sutia-ao-retrato-na-parede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=2987","title":{"rendered":"Do suti\u00e3 ao retrato na parede"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2988\" aria-describedby=\"caption-attachment-2988\" style=\"width: 930px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2988\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/pexels-pixabay-258418-1024x683-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"930\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/pexels-pixabay-258418-1024x683-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/pexels-pixabay-258418-1024x683-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/pexels-pixabay-258418-1024x683-1-150x100.jpg 150w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/pexels-pixabay-258418-1024x683-1-330x220.jpg 330w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/pexels-pixabay-258418-1024x683-1-420x280.jpg 420w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/pexels-pixabay-258418-1024x683-1-510x340.jpg 510w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/pexels-pixabay-258418-1024x683-1.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 930px) 100vw, 930px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2988\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>A exist\u00eancia do amor verdadeiro e do amor idealizado sempre despertou curiosidade e pol\u00eamica ao longo dos s\u00e9culos. Enquanto muitos acreditam que o amor verdadeiro \u00e9 uma experi\u00eancia rara, profunda e transformadora, outros defendem que grande parte do que sentimos \u00e9 fruto de expectativas e idealiza\u00e7\u00f5es criadas pela cultura, pela m\u00eddia e pelas nossas pr\u00f3prias fantasias.<\/p>\n<p>S\u00f3 que a tecnologia jogou uma p\u00e1 de cal na discuss\u00e3o. E isso est\u00e1 deixando os rom\u00e2nticos em polvorosa. Um bom exemplo veio do chamado \u201csuti\u00e3 do amor verdadeiro\u201d. A pe\u00e7a foi desenvolvida pela marca japonesa Ravijour e est\u00e1 equipada com sensores conectados via Bluetooth a um aplicativo que mede os batimentos card\u00edacos da mulher e calcula uma \u201cTaxa de Amor Verdadeiro\u201d. Quando essa taxa ultrapassa um certo limite, o fecho do suti\u00e3 se abre automaticamente. Mais do que uma lingerie, trata-se de um experimento tecnol\u00f3gico que viralizou nas redes sociais e levantou quest\u00f5es sobre como podemos medir ou comprovar sentimentos t\u00e3o subjetivos.<\/p>\n<p>Os cientistas envolvidos no experimento explicam que, quando estamos emocionados ou apaixonados, o corpo libera catecolaminas que estimulam o sistema nervoso aut\u00f4nomo e aumentam a frequ\u00eancia card\u00edaca. O aplicativo interpreta essas altera\u00e7\u00f5es como sinais de paix\u00e3o. Para uma especialista em sexualidade humana, o suti\u00e3 deixa de ser apenas uma pe\u00e7a \u00edntima e se torna um instrumento para testar o amor verdadeiro. Ela afirma que \u201cquando nos apaixonamos, sentimos uma onda instant\u00e2nea de emo\u00e7\u00e3o, uma sensa\u00e7\u00e3o diferente de qualquer outra\u201d.<\/p>\n<p>Esse experimento ilustra bem a diferen\u00e7a entre o amor verdadeiro e o amor idealizado. O primeiro \u00e9 vivido de forma intensa e aut\u00eantica, marcado por emo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem ser facilmente simuladas. J\u00e1 o amor idealizado nasce das expectativas e da busca por um modelo perfeito de relacionamento, muitas vezes distante da realidade. O \u201csuti\u00e3 do amor verdadeiro\u201d brinca com essa fronteira: ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel traduzir em n\u00fameros e sensores aquilo que sentimos no cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Tecnologias \u00e0 parte, que atire a primeira pedra quem nunca sentiu o tal do amor verdadeiro. Tem tamb\u00e9m muita gente (calma, n\u00e3o vou apontar nomes porque n\u00e3o \u00e9 do meu feitio) que de tanto idealizar o amor rom\u00e2ntico caiu do cavalo. Hoje, com os dois p\u00e9s atr\u00e1s, n\u00e3o querem nem ouvir falar disso. Tem uns e umas que vivem dizendo: \u201cT\u00f4 muito bem sozinha. N\u00e3o quero nem ouvir falar disso\u201d, \u201cantes s\u00f3 que mal acompanhado\u201d e patati, patat\u00e1. Haja discurso pronto.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o amor existe, sim. Tem a hist\u00f3ria dos meus pais que n\u00e3o me deixa mentir. Os dois foram apresentados pela minha tia Zizinha e se conheceram enquanto trilhavam a linha da Ferrovia Centro-Oeste. Sim, meus caros e minhas caras! J\u00e1 houve um tempo em que as mo\u00e7oilas e os mo\u00e7oilos paqueravam ou, para ser mais contempor\u00e2nea, se aproximavam dos seus <em>crushs<\/em> enquanto caminhavam sobre as linhas de trem. Dif\u00edcil de imaginar, n\u00e9? Hoje, l\u00e1 em Concei\u00e7\u00e3o do Par\u00e1 nem trem existe mais. Que dir\u00e1 a linha. A esta\u00e7\u00e3o continua de p\u00e9. Linda e imponente, enfeitando a pra\u00e7a da Matriz.<\/p>\n<p>Sobre o amor dos meus pais, este frutificou. Somos o resultado desse amor sem medidas. O \u201cat\u00e9 que a morte nos separe\u201d durou mais de 60 anos. Hoje, como no poema de Drummond, esse amor \u00e9 um retrato na parede. E como d\u00f3i!<\/p>\n<p>E sobre o amor idealizado? Ah, esse j\u00e1 deixou muita gente de cama, chorando com balde de pipoca e <em>playlist<\/em> melosa. Mas passa, viu? Nada como um novo <em>crush<\/em> para curar o antigo. Tem dorameira jurando de p\u00e9s juntos que o asi\u00e1tico, principalmente o sul-coreano, \u00e9 o homem perfeito. Confesso: a armadilha existe e \u00e9 tentadora. Quem sou eu pra julgar. S\u00f3 que, sejamos francos, tanto l\u00e1 quanto aqui o machismo estrutural n\u00e3o tira f\u00e9rias. Ent\u00e3o, cuidado: o pr\u00edncipe encantado da tela pode virar sapo na vida real. Idealizar demais \u00e9 receita certa para frustra\u00e7\u00e3o e para mais uma maratona de drama coreano com final choroso. Haja lencinho! Mas eu amo. Os doramas, \u00e9 claro! Voc\u00eas sabem disso.<\/p>\n<p>E, antes que eu me esque\u00e7a, sobre amor, independente de ser o verdadeiro ou o idealizado, vale a m\u00e1xima do Caetano: \u201cqualquer maneira de amar vale a pena; qualquer maneira de amor valer\u00e1\u201d. E estamos conversados. Torcendo aqui para que voc\u00ea seja feliz. Seja s\u00f3 ou acompanhada ou acompanhado. Fica a seu crit\u00e9rio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2467\" aria-describedby=\"caption-attachment-2467\" style=\"width: 825px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-2467\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Gisele-Bicalho-1-e1772286112888-300x140.png\" alt=\"\" width=\"825\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Gisele-Bicalho-1-e1772286112888-300x140.png 300w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Gisele-Bicalho-1-e1772286112888-768x359.png 768w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Gisele-Bicalho-1-e1772286112888.png 994w\" sizes=\"(max-width: 825px) 100vw, 825px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2467\" class=\"wp-caption-text\">Gisele Bicalho \u00e9 jornalista e escritora<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exist\u00eancia do amor verdadeiro e do amor idealizado sempre despertou curiosidade e pol\u00eamica ao longo dos s\u00e9culos. 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Mais do que uma lingerie, trata-se de um experimento tecnol\u00f3gico que viralizou nas redes sociais e levantou quest\u00f5es sobre como podemos medir ou comprovar sentimentos t\u00e3o subjetivos. Os cientistas envolvidos no experimento explicam que, quando estamos emocionados ou apaixonados, o corpo libera catecolaminas que estimulam o sistema nervoso aut\u00f4nomo e aumentam a frequ\u00eancia card\u00edaca. O aplicativo interpreta essas altera\u00e7\u00f5es como sinais de paix\u00e3o. Para uma especialista em sexualidade humana, o suti\u00e3 deixa de ser apenas uma pe\u00e7a \u00edntima e se torna um instrumento para testar o amor verdadeiro. Ela afirma que \u201cquando nos apaixonamos, sentimos uma onda instant\u00e2nea de emo\u00e7\u00e3o, uma sensa\u00e7\u00e3o diferente de qualquer outra\u201d. Esse experimento ilustra bem a diferen\u00e7a entre o amor verdadeiro e o amor idealizado. O primeiro \u00e9 vivido de forma intensa e aut\u00eantica, marcado por emo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem ser facilmente simuladas. J\u00e1 o amor idealizado nasce das expectativas e da busca por um modelo perfeito de relacionamento, muitas vezes distante da realidade. O \u201csuti\u00e3 do amor verdadeiro\u201d brinca com essa fronteira: ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel traduzir em n\u00fameros e sensores aquilo que sentimos no cora\u00e7\u00e3o? Tecnologias \u00e0 parte, que atire a primeira pedra quem nunca sentiu o tal do amor verdadeiro. Tem tamb\u00e9m muita gente (calma, n\u00e3o vou apontar nomes porque n\u00e3o \u00e9 do meu feitio) que de tanto idealizar o amor rom\u00e2ntico caiu do cavalo. Hoje, com os dois p\u00e9s atr\u00e1s, n\u00e3o querem nem ouvir falar disso. Tem uns e umas que vivem dizendo: \u201cT\u00f4 muito bem sozinha. N\u00e3o quero nem ouvir falar disso\u201d, \u201cantes s\u00f3 que mal acompanhado\u201d e patati, patat\u00e1. Haja discurso pronto. A verdade \u00e9 que o amor existe, sim. Tem a hist\u00f3ria dos meus pais que n\u00e3o me deixa mentir. Os dois foram apresentados pela minha tia Zizinha e se conheceram enquanto trilhavam a linha da Ferrovia Centro-Oeste. Sim, meus caros e minhas caras! J\u00e1 houve um tempo em que as mo\u00e7oilas e os mo\u00e7oilos paqueravam ou, para ser mais contempor\u00e2nea, se aproximavam dos seus crushs enquanto caminhavam sobre as linhas de trem. Dif\u00edcil de imaginar, n\u00e9? Hoje, l\u00e1 em Concei\u00e7\u00e3o do Par\u00e1 nem trem existe mais. Que dir\u00e1 a linha. A esta\u00e7\u00e3o continua de p\u00e9. Linda e imponente, enfeitando a pra\u00e7a da Matriz. Sobre o amor dos meus pais, este frutificou. Somos o resultado desse amor sem medidas. O \u201cat\u00e9 que a morte nos separe\u201d durou mais de 60 anos. Hoje, como no poema de Drummond, esse amor \u00e9 um retrato na parede. E como d\u00f3i! E sobre o amor idealizado? Ah, esse j\u00e1 deixou muita gente de cama, chorando com balde de pipoca e playlist melosa. Mas passa, viu? Nada como um novo crush para curar o antigo. Tem dorameira jurando de p\u00e9s juntos que o asi\u00e1tico, principalmente o sul-coreano, \u00e9 o homem perfeito. Confesso: a armadilha existe e \u00e9 tentadora. Quem sou eu pra julgar. S\u00f3 que, sejamos francos, tanto l\u00e1 quanto aqui o machismo estrutural n\u00e3o tira f\u00e9rias. Ent\u00e3o, cuidado: o pr\u00edncipe encantado da tela pode virar sapo na vida real. Idealizar demais \u00e9 receita certa para frustra\u00e7\u00e3o e para mais uma maratona de drama coreano com final choroso. Haja lencinho! Mas eu amo. Os doramas, \u00e9 claro! Voc\u00eas sabem disso. E, antes que eu me esque\u00e7a, sobre amor, independente de ser o verdadeiro ou o idealizado, vale a m\u00e1xima do Caetano: \u201cqualquer maneira de amar vale a pena; qualquer maneira de amor valer\u00e1\u201d. E estamos conversados. 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