{"id":2867,"date":"2026-06-12T09:27:31","date_gmt":"2026-06-12T12:27:31","guid":{"rendered":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=2867"},"modified":"2026-06-12T09:27:31","modified_gmt":"2026-06-12T12:27:31","slug":"as-copas-que-ninguem-esquece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=2867","title":{"rendered":"As Copas que ningu\u00e9m esquece"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2868\" aria-describedby=\"caption-attachment-2868\" style=\"width: 1064px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2868\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/copa-do-mundo-2026-copa_do_mundo_2026-copa_do_mundo-cerimonia_de_abertura-1781117686-1024x632-1-300x185.avif\" alt=\"\" width=\"1064\" height=\"656\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/copa-do-mundo-2026-copa_do_mundo_2026-copa_do_mundo-cerimonia_de_abertura-1781117686-1024x632-1-300x185.avif 300w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/copa-do-mundo-2026-copa_do_mundo_2026-copa_do_mundo-cerimonia_de_abertura-1781117686-1024x632-1-768x474.avif 768w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/copa-do-mundo-2026-copa_do_mundo_2026-copa_do_mundo-cerimonia_de_abertura-1781117686-1024x632-1.avif 1024w\" sizes=\"(max-width: 1064px) 100vw, 1064px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2868\" class=\"wp-caption-text\">Abertura da Copa do Mundo de Futebol realizada no Est\u00e1dio Azteca, no M\u00e9xico &#8211; Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ x @WorldCup__26<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o se fala em outra coisa. A Copa do Mundo domina todas as rodas de conversa. Cada um tem a sua pr\u00f3pria sele\u00e7\u00e3o. Com Neymar, sem Neymar. Eu n\u00e3o abriria m\u00e3o de Kaio Jorge e Mateus Pereira. Mas minha opini\u00e3o n\u00e3o pesa diante de Ancelotti. Ent\u00e3o, s\u00f3 resta me ater ao outro lado da not\u00edcia.<\/p>\n<p>J\u00e1 contei aqui que, na Copa de 1970, quando o Brasil ergueu a ta\u00e7a no M\u00e9xico, um pai, tomado pela euforia, decidiu eternizar os craques em um s\u00f3 batismo. Misturou s\u00edlabas, juntou sons, e deu ao filho um nome que mais parecia trava-l\u00edngua: Tospericargerja. O menino cresceu com o peso de uma homenagem que confundia mais do que celebrava. O futebol, desde ent\u00e3o, n\u00e3o era apenas jogo: era identidade, era marca. Quem me contou esse \u201ccauso\u201d foi o Jorge Santana, um apaixonado pelo futebol e, como eu, tamb\u00e9m pelo Cruzeiro.<\/p>\n<p>Por falar na Sele\u00e7\u00e3o Canarinho e no Cabuloso, o primeiro crush n\u00e3o foi nenhum Beatles e nenhum cantor da Jovem Guarda. Foi Tost\u00e3o. Em 1970, no M\u00e9xico, o jogador foi pe\u00e7a fundamental na conquista da ta\u00e7a.<\/p>\n<p>O tempo passou, mas os nomes continuaram a provocar debates. O atacante Richarlison, camisa 9 no Catar em 2022, decidiu batizar o filho de Richarlison Jr. A escolha gerou pol\u00eamica nas redes sociais. \u201cO Rick Jr. n\u00e3o vai precisar trabalhar\u201d, rebateu o jogador, irritado com as cr\u00edticas. Mais uma vez, o futebol mostrava que n\u00e3o se trata apenas de gols e vit\u00f3rias, mas tamb\u00e9m de como os nomes carregam hist\u00f3rias, expectativas e destinos.<\/p>\n<p>Mas antes de Richarlison, j\u00e1 houve quem carregasse o peso das cr\u00edticas. Em 1994, Roberto Baggio, lenda italiana, viu sua bola subir nos c\u00e9us dos Estados Unidos e nunca mais descer. O p\u00eanalti perdido contra o Brasil se transformou em fantasma. \u201cEssa bola ainda est\u00e1 suspensa\u201d, confessaria d\u00e9cadas depois.<\/p>\n<p>Naquele dia, nossa fam\u00edlia se amontoou em frente \u00e0 televis\u00e3o. Mam\u00e3e, apaixonada por futebol e pelo Atl\u00e9tico, era a mais euf\u00f3rica. Para espanto do meu pai, nossa querida ignorou os limites da idade e da limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica e comemorou em cima do sof\u00e1 o erro de Baggio. Obviamente me juntei a ela, sob o olhar blas\u00e9 das minhas irm\u00e3s, que at\u00e9 ent\u00e3o estavam atentas apenas \u00e0 beleza dos uniformes e dos jogadores italianos. Meus irm\u00e3os, pasmem, nunca jogaram futebol na vida, mas se renderam \u00e0 grandeza daquele momento e se juntaram \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o. Seguida, \u00e9 claro, por uma bela macarronada.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o erro de Baggio, como um nome mal escolhido, n\u00e3o se apaga: acompanha, d\u00f3i, molda.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o veio 2014. O Mineir\u00e3o, em Belo Horizonte, foi palco de um apag\u00e3o hist\u00f3rico. O Brasil enfrentava a Alemanha e, em trinta minutos, j\u00e1 perdia por 5 a 0. O est\u00e1dio, com quase 60 mil pessoas, se dividia entre l\u00e1grimas, sil\u00eancio e incredulidade. Foi a primeira vez que a sele\u00e7\u00e3o alem\u00e3 superava o Brasil em Copas. O hino alem\u00e3o, abafado pelas vaias, anunciava que aquela noite seria lembrada como o maior vexame da hist\u00f3ria da Sele\u00e7\u00e3o. O placar final, 7 a 1, virou cicatriz nacional.<br \/>\nA pergunta que n\u00e3o quer calar:<\/p>\n<p>&#8211; Gisele, onde \u00e9 mesmo que voc\u00ea estava no fat\u00eddico 7 x 1?<\/p>\n<p>Trabalhando no Centro Integrado de Comando e Controle Regional, instalado na Cidade Administrativa de Minas Gerais. Acompanhando em tempo real a seguran\u00e7a, o tr\u00e2nsito, o atendimento m\u00e9dico e o controle de manifesta\u00e7\u00f5es. Funcionava como \u201cc\u00e9rebro\u201d da opera\u00e7\u00e3o durante os jogos no Mineir\u00e3o.<\/p>\n<p>A cada gol da Alemanha, o local, antes barulhento e movimentado, se calava. As pessoas se olhavam estupefatas, como que dizendo \u201co que est\u00e1 acontecendo? Como isso \u00e9 poss\u00edvel?\u201d Mas foi e se tornou uma mem\u00f3ria ruim que ningu\u00e9m esquece.<\/p>\n<p>Hoje, em 2026, entre o talento de Tost\u00e3o em 1970, o p\u00eanalti suspenso de 1994, o vexame de 2014, a pol\u00eamica de 2022 e a delicadeza de Gilberto Silva, o futebol se revela como espelho da vida: gl\u00f3rias que se eternizam, derrotas que n\u00e3o cicatrizam, nomes que marcam. As lembran\u00e7as se entrela\u00e7am, mostrando que o jogo nunca termina quando o \u00e1rbitro apita. Ele continua, suspenso no tempo, dentro de cada torcedor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2467\" aria-describedby=\"caption-attachment-2467\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2467\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Gisele-Bicalho-1-e1772286112888-300x140.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"140\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Gisele-Bicalho-1-e1772286112888-300x140.png 300w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Gisele-Bicalho-1-e1772286112888-768x359.png 768w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Gisele-Bicalho-1-e1772286112888.png 994w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2467\" class=\"wp-caption-text\">Gisele Bicalho \u00e9 jornalista e escritora<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se fala em outra coisa. 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Por falar na Sele\u00e7\u00e3o Canarinho e no Cabuloso, o primeiro crush n\u00e3o foi nenhum Beatles e nenhum cantor da Jovem Guarda. Foi Tost\u00e3o. Em 1970, no M\u00e9xico, o jogador foi pe\u00e7a fundamental na conquista da ta\u00e7a. O tempo passou, mas os nomes continuaram a provocar debates. O atacante Richarlison, camisa 9 no Catar em 2022, decidiu batizar o filho de Richarlison Jr. A escolha gerou pol\u00eamica nas redes sociais. \u201cO Rick Jr. n\u00e3o vai precisar trabalhar\u201d, rebateu o jogador, irritado com as cr\u00edticas. Mais uma vez, o futebol mostrava que n\u00e3o se trata apenas de gols e vit\u00f3rias, mas tamb\u00e9m de como os nomes carregam hist\u00f3rias, expectativas e destinos. Mas antes de Richarlison, j\u00e1 houve quem carregasse o peso das cr\u00edticas. Em 1994, Roberto Baggio, lenda italiana, viu sua bola subir nos c\u00e9us dos Estados Unidos e nunca mais descer. O p\u00eanalti perdido contra o Brasil se transformou em fantasma. \u201cEssa bola ainda est\u00e1 suspensa\u201d, confessaria d\u00e9cadas depois. Naquele dia, nossa fam\u00edlia se amontoou em frente \u00e0 televis\u00e3o. Mam\u00e3e, apaixonada por futebol e pelo Atl\u00e9tico, era a mais euf\u00f3rica. Para espanto do meu pai, nossa querida ignorou os limites da idade e da limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica e comemorou em cima do sof\u00e1 o erro de Baggio. Obviamente me juntei a ela, sob o olhar blas\u00e9 das minhas irm\u00e3s, que at\u00e9 ent\u00e3o estavam atentas apenas \u00e0 beleza dos uniformes e dos jogadores italianos. Meus irm\u00e3os, pasmem, nunca jogaram futebol na vida, mas se renderam \u00e0 grandeza daquele momento e se juntaram \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o. Seguida, \u00e9 claro, por uma bela macarronada. A verdade \u00e9 que o erro de Baggio, como um nome mal escolhido, n\u00e3o se apaga: acompanha, d\u00f3i, molda. E ent\u00e3o veio 2014. O Mineir\u00e3o, em Belo Horizonte, foi palco de um apag\u00e3o hist\u00f3rico. O Brasil enfrentava a Alemanha e, em trinta minutos, j\u00e1 perdia por 5 a 0. O est\u00e1dio, com quase 60 mil pessoas, se dividia entre l\u00e1grimas, sil\u00eancio e incredulidade. Foi a primeira vez que a sele\u00e7\u00e3o alem\u00e3 superava o Brasil em Copas. O hino alem\u00e3o, abafado pelas vaias, anunciava que aquela noite seria lembrada como o maior vexame da hist\u00f3ria da Sele\u00e7\u00e3o. O placar final, 7 a 1, virou cicatriz nacional. A pergunta que n\u00e3o quer calar: &#8211; Gisele, onde \u00e9 mesmo que voc\u00ea estava no fat\u00eddico 7 x 1? Trabalhando no Centro Integrado de Comando e Controle Regional, instalado na Cidade Administrativa de Minas Gerais. Acompanhando em tempo real a seguran\u00e7a, o tr\u00e2nsito, o atendimento m\u00e9dico e o controle de manifesta\u00e7\u00f5es. Funcionava como \u201cc\u00e9rebro\u201d da opera\u00e7\u00e3o durante os jogos no Mineir\u00e3o. A cada gol da Alemanha, o local, antes barulhento e movimentado, se calava. As pessoas se olhavam estupefatas, como que dizendo \u201co que est\u00e1 acontecendo? Como isso \u00e9 poss\u00edvel?\u201d Mas foi e se tornou uma mem\u00f3ria ruim que ningu\u00e9m esquece. Hoje, em 2026, entre o talento de Tost\u00e3o em 1970, o p\u00eanalti suspenso de 1994, o vexame de 2014, a pol\u00eamica de 2022 e a delicadeza de Gilberto Silva, o futebol se revela como espelho da vida: gl\u00f3rias que se eternizam, derrotas que n\u00e3o cicatrizam, nomes que marcam. As lembran\u00e7as se entrela\u00e7am, mostrando que o jogo nunca termina quando o \u00e1rbitro apita. 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