{"id":2412,"date":"2026-01-16T16:58:27","date_gmt":"2026-01-16T19:58:27","guid":{"rendered":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=2412"},"modified":"2026-01-16T16:58:27","modified_gmt":"2026-01-16T19:58:27","slug":"o-tempo-nao-cabe-em-rotulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=2412","title":{"rendered":"O tempo n\u00e3o cabe em r\u00f3tulos"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2413 alignnone\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/gisele-2-206x300.png\" alt=\"\" width=\"989\" height=\"1440\" \/><\/p>\n<p>Quantos anos voc\u00ea tem? Ou\u00e7o essa pergunta com alguma frequ\u00eancia. A resposta nem sempre chega com a objetividade esperada: talvez alguns a mais que voc\u00ea; talvez menos do que aparento. Vaidade? Longe disso. O que me assombra e me distancia dessa resposta \u00e9 o fantasma do tal etarismo. S\u00f3 quem j\u00e1 passou dos trinta sabe como \u00e9 conviver com isso. \u00c9 sempre assim? Felizmente, n\u00e3o. Como em tudo na vida, h\u00e1 contrapontos.<\/p>\n<p>&#8211; Nossa! O tempo n\u00e3o passa para voc\u00ea. Voc\u00ea n\u00e3o mudou nada.<\/p>\n<p>Passa, sim. Mudei tamb\u00e9m. L\u00e1 se foi o vi\u00e7o, o frescor. Hoje convivo com rugas, flacidez, pernas cansadas e falta de vigor. E n\u00e3o estou sozinha. O Brasil e o mundo est\u00e3o envelhecendo rapidamente: em poucos anos haver\u00e1 mais pessoas com 60+ do que crian\u00e7as em v\u00e1rios pa\u00edses. Essa transforma\u00e7\u00e3o exige que cidades, servi\u00e7os e produtos se adaptem \u00e0 nova realidade.<\/p>\n<p>E n\u00e3o venha romantizar essa etapa da vida. O envelhecimento, apesar de inevit\u00e1vel, \u00e9 dif\u00edcil. Eu sei o quanto isso me custa. Mas, para me manter inteira, me recuso ao recolhimento, a aceitar o sil\u00eancio das horas e vestir o uniforme da \u201cmelhor idade\u201d. Eu n\u00e3o me reconhe\u00e7o nesse figurino. N\u00e3o quero ser rotulada de idosa, nem ser vista como algu\u00e9m da terceira idade. Quero ser chamada pelo nome, pela hist\u00f3ria que carrego, pelo brilho que ainda mantenho nos olhos.<\/p>\n<p>O NOLT surge como resposta cultural e social a esse cen\u00e1rio, dando voz \u00e0 minha gera\u00e7\u00e3o, \u00e0s pessoas que, como eu, n\u00e3o se reconhecem no estere\u00f3tipo da \u201cvelha recatada\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Mas para que isso? Mais um nome? J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 nomes demais para rotular quem tem 60+?<\/p>\n<p>Discordo. Essa nova denomina\u00e7\u00e3o faz sentido. O NOLT nasceu do nosso inconformismo. \u00c9 a recusa em aceitar que o calend\u00e1rio dite o ritmo da vida. \u00c9 a afirma\u00e7\u00e3o de que aos 60, 70 ou 80 anos ainda se pode aprender uma l\u00edngua nova, abrir um neg\u00f3cio, viajar sozinho, apaixonar-se outra vez, manter-se firme no mercado de trabalho que insiste em nos rejeitar e rotular.<\/p>\n<p>Nas pra\u00e7as, n\u00f3s, os NOLTs, caminhamos (ops!) com passos firmes. Nas redes sociais, compartilhamos ideias, fotos, mem\u00f3rias e planos. No mercado, exigimos produtos que falem conosco sem nos infantilizar. Na pol\u00edtica, exigimos voz ativa. Somos protagonistas de uma hist\u00f3ria que n\u00e3o cabe em estere\u00f3tipos e, como tal, devemos ser vistos, tratados e respeitados.<\/p>\n<p>O tempo, afinal, n\u00e3o \u00e9 uma senten\u00e7a. \u00c9 uma oportunidade de se reinventar. O NOLT acende um alerta: envelhecer n\u00e3o \u00e9 perder, mas acumular experi\u00eancias, afetos, coragem. \u00c9 viver sem r\u00f3tulos, porque a vida n\u00e3o se resume a uma etiqueta.<\/p>\n<p>E talvez o maior ensinamento desse movimento seja simples: envelhecer \u00e9 continuar. Continuar sendo, continuar sonhando, continuar vivendo. At\u00e9 quando? S\u00f3 Deus \u00e9 quem sabe. E Ele sabe de tudo. Sabe, principalmente, sobre o nosso destino.<\/p>\n<p>Ah, esqueci de dizer: a sigla NOLT significa New Older Living Trend, ou seja, uma Nova Tend\u00eancia de Vida Mais Velha. Nessa vibe, sigamos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1109\" aria-describedby=\"caption-attachment-1109\" style=\"width: 1067px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-1109\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1-300x171.png\" alt=\"\" width=\"1067\" height=\"608\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1-300x171.png 300w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1-768x439.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1067px) 100vw, 1067px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1109\" class=\"wp-caption-text\">Gisele Bicalho \u00e9 jornalista e escritora.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantos anos voc\u00ea tem? Ou\u00e7o essa pergunta com alguma frequ\u00eancia. A resposta nem sempre chega com a objetividade esperada: talvez alguns a mais que voc\u00ea; talvez menos do que aparento. Vaidade? Longe disso. O que me assombra e me distancia dessa resposta \u00e9 o fantasma do tal etarismo. S\u00f3 quem j\u00e1 passou dos trinta sabe como \u00e9 conviver com isso. \u00c9 sempre assim? Felizmente, n\u00e3o. Como em tudo na vida, h\u00e1 contrapontos. &#8211; Nossa! O tempo n\u00e3o passa para voc\u00ea. Voc\u00ea n\u00e3o mudou nada. Passa, sim. Mudei tamb\u00e9m. L\u00e1 se foi o vi\u00e7o, o frescor. Hoje convivo com rugas, flacidez, pernas cansadas e falta de vigor. E n\u00e3o estou sozinha. O Brasil e o mundo est\u00e3o envelhecendo rapidamente: em poucos anos haver\u00e1 mais pessoas com 60+ do que crian\u00e7as em v\u00e1rios pa\u00edses. Essa transforma\u00e7\u00e3o exige que cidades, servi\u00e7os e produtos se adaptem \u00e0 nova realidade. E n\u00e3o venha romantizar essa etapa da vida. O envelhecimento, apesar de inevit\u00e1vel, \u00e9 dif\u00edcil. Eu sei o quanto isso me custa. Mas, para me manter inteira, me recuso ao recolhimento, a aceitar o sil\u00eancio das horas e vestir o uniforme da \u201cmelhor idade\u201d. Eu n\u00e3o me reconhe\u00e7o nesse figurino. N\u00e3o quero ser rotulada de idosa, nem ser vista como algu\u00e9m da terceira idade. Quero ser chamada pelo nome, pela hist\u00f3ria que carrego, pelo brilho que ainda mantenho nos olhos. O NOLT surge como resposta cultural e social a esse cen\u00e1rio, dando voz \u00e0 minha gera\u00e7\u00e3o, \u00e0s pessoas que, como eu, n\u00e3o se reconhecem no estere\u00f3tipo da \u201cvelha recatada\u201d. &#8211; Mas para que isso? Mais um nome? J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 nomes demais para rotular quem tem 60+? Discordo. Essa nova denomina\u00e7\u00e3o faz sentido. O NOLT nasceu do nosso inconformismo. \u00c9 a recusa em aceitar que o calend\u00e1rio dite o ritmo da vida. \u00c9 a afirma\u00e7\u00e3o de que aos 60, 70 ou 80 anos ainda se pode aprender uma l\u00edngua nova, abrir um neg\u00f3cio, viajar sozinho, apaixonar-se outra vez, manter-se firme no mercado de trabalho que insiste em nos rejeitar e rotular. Nas pra\u00e7as, n\u00f3s, os NOLTs, caminhamos (ops!) com passos firmes. Nas redes sociais, compartilhamos ideias, fotos, mem\u00f3rias e planos. No mercado, exigimos produtos que falem conosco sem nos infantilizar. Na pol\u00edtica, exigimos voz ativa. Somos protagonistas de uma hist\u00f3ria que n\u00e3o cabe em estere\u00f3tipos e, como tal, devemos ser vistos, tratados e respeitados. O tempo, afinal, n\u00e3o \u00e9 uma senten\u00e7a. \u00c9 uma oportunidade de se reinventar. O NOLT acende um alerta: envelhecer n\u00e3o \u00e9 perder, mas acumular experi\u00eancias, afetos, coragem. \u00c9 viver sem r\u00f3tulos, porque a vida n\u00e3o se resume a uma etiqueta. E talvez o maior ensinamento desse movimento seja simples: envelhecer \u00e9 continuar. Continuar sendo, continuar sonhando, continuar vivendo. At\u00e9 quando? S\u00f3 Deus \u00e9 quem sabe. E Ele sabe de tudo. Sabe, principalmente, sobre o nosso destino. Ah, esqueci de dizer: a sigla NOLT significa New Older Living Trend, ou seja, uma Nova Tend\u00eancia de Vida Mais Velha. 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