{"id":2387,"date":"2026-01-15T16:02:05","date_gmt":"2026-01-15T19:02:05","guid":{"rendered":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=2387"},"modified":"2026-01-15T16:07:51","modified_gmt":"2026-01-15T19:07:51","slug":"a-ferida-aberta-livro-expoe-a-desigualdade-nos-vales-do-jequitinhonha-e-mucuri-a-partir-de-relatos-de-pacientes-com-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=2387","title":{"rendered":"&#8220;A ferida aberta&#8221;: Livro exp\u00f5e a desigualdade nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri a partir de relatos de pacientes com HIV"},"content":{"rendered":"<div class=\"single-introducao\">\n<h2><strong>Em <em>A Ferida Aberta<\/em>, o autor \u00e9 claro ao afirmar que n\u00e3o basta tratar apenas o v\u00edrus: a doen\u00e7a n\u00e3o existe apartada da fome, do racismo, da pobreza, da viol\u00eancia, do estigma e da aus\u00eancia do Estado<\/strong><\/h2>\n<\/div>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2388 alignnone\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/A-ferida-aberta-210x300.jpg\" alt=\"\" width=\"1047\" height=\"1496\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/A-ferida-aberta-210x300.jpg 210w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/A-ferida-aberta.jpg 370w\" sizes=\"(max-width: 1047px) 100vw, 1047px\" \/><\/p>\n<p class=\"post-meta entry-meta\"><strong><span class=\"post-author\"><span class=\"author vcard\">Por Mauro S\u00edlvio*<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Antes de ser escritor, Heber Neiva (Vav\u00e1), ex-prefeito de Cara\u00ed, \u00e9 m\u00e9dico. Infectologista por forma\u00e7\u00e3o e voca\u00e7\u00e3o, construiu uma trajet\u00f3ria profissional marcada pelo atendimento direto a pessoas vivendo com HIV, sobretudo nos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, regi\u00f5es historicamente afetadas pela desigualdade social, seja pela precariedade das pol\u00edticas p\u00fablicas, seja pela persist\u00eancia de vulnerabilidades estruturais que se reproduzem ao longo das gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diante das in\u00fameras experi\u00eancias no atendimento a pacientes e movido pela sensibilidade que lhe \u00e9 peculiar, o m\u00e9dico \u2013 agora tamb\u00e9m autor \u2013 deu forma ao livro <em><a href=\"https:\/\/clubedeautores.com.br\/livro\/a-feria-aberta\">A Ferida Aberta<\/a><\/em>. Lan\u00e7ada no final de 2025, a obra surpreendeu pelo registro rico e delicado. As narrativas que comp\u00f5em o livro t\u00eam origem em hist\u00f3rias reais, constru\u00eddas a partir da escuta cl\u00ednica e da conviv\u00eancia profissional, com as identidades dos pacientes integralmente preservadas por meio do uso de nomes fict\u00edcios. Ainda que o livro se sustente em uma escuta \u00e9tica e cuidadosa, ele tamb\u00e9m se move em um terreno delicado, no qual a transposi\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia cl\u00ednica para a narrativa liter\u00e1ria exige permanente vigil\u00e2ncia \u00e9tica.<\/p>\n<p>A realidade da desigualdade regional emerge de forma contundente no livro atrav\u00e9s do registro da personagem Damiana, quando o autor observa que ela \u201c(\u2026) nasceu no final de um s\u00e9culo de promessas quebradas. Enquanto, nos grandes centros, a ci\u00eancia transformava o HIV de senten\u00e7a de morte em condi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica para quem tinha acesso, o nascimento dela, num munic\u00edpio pequeno do Vale do Mucuri, encarnava o grande paradoxo do mil\u00eanio: o conhecimento que salva e a desigualdade que mata\u201d<em>.<\/em> A passagem sintetiza uma das den\u00fancias centrais do livro: embora os avan\u00e7os cient\u00edficos tenham reduzido significativamente o impacto letal da aids, sobretudo nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, seus benef\u00edcios n\u00e3o alcan\u00e7aram de forma plena os Vales do Jequitinhonha e do Mucuri.<\/p>\n<p>Ao longo de anos de escuta cl\u00ednica, o autor n\u00e3o se restringiu ao rigor t\u00e9cnico dos prontu\u00e1rios. O ex-presidente do Cons\u00f3rcio Intermunicipal de Sa\u00fade dos Vales do Mucuri, Jequitinhonha, colecionou hist\u00f3rias de mulheres e homens que aparecem no livro como personagens, cujas trajet\u00f3rias revelam tanto resist\u00eancia quanto perdas, viol\u00eancias e silenciamentos. Heber Neiva diagnosticou doen\u00e7as, conhecendo as pessoas, experi\u00eancias que marcaram de modo decisivo sua pr\u00e1tica profissional e ampliaram sua compreens\u00e3o do mundo, deslocando o exerc\u00edcio da medicina para al\u00e9m da cl\u00ednica estrita.<\/p>\n<p>Ainda na gradua\u00e7\u00e3o, o contato com o conceito de sindemia foi determinante para a forma\u00e7\u00e3o de seu olhar, representando um profundo deslocamento \u00e9tico e epistemol\u00f3gico. Em <em>A Ferida Aberta<\/em>, o autor \u00e9 claro ao afirmar que n\u00e3o basta tratar apenas o v\u00edrus: a doen\u00e7a n\u00e3o existe apartada da fome, do racismo, da pobreza, da viol\u00eancia, do estigma e da aus\u00eancia do Estado. Essa compreens\u00e3o aparece de forma contundente quando afirma: \u201cOs pat\u00f3genos biol\u00f3gicos s\u00e3o apenas rel\u00e2mpagos vis\u00edveis; por tr\u00e1s deles move-se uma nuvem antiga e densa de viol\u00eancia social, carregada por s\u00e9culos de desamparo, que avan\u00e7a lentamente sobre os territ\u00f3rios mais vulner\u00e1veis e despeja sua carga t\u00f3xica sobre quem menos tem defesas para se proteger\u201d. A met\u00e1fora sintetiza o n\u00facleo conceitual da obra, ao evidenciar a doen\u00e7a como express\u00e3o vis\u00edvel de estruturas invis\u00edveis de desigualdade.<\/p>\n<p>Esse entendimento marca todo o livro, que nasce do encontro entre medicina e humanidade, entre ci\u00eancia e escuta. As pessoas atendidas ao longo da carreira, muitas delas soropositivas, deixam de ser n\u00fameros estat\u00edsticos ou casos cl\u00ednicos e passam a ocupar o lugar de personagens, sem perda de dignidade ou complexidade. S\u00e3o relatos que revelam for\u00e7a e resili\u00eancia, mas tamb\u00e9m preconceito, viola\u00e7\u00f5es, abandono institucional e exclus\u00e3o social. Ao mesmo tempo em que devolve humanidade \u00e0s personagens, a obra enfrenta o desafio de narrar o sofrimento sem reduzi-lo a exemplaridade moral ou pedag\u00f3gica, risco recorrente em narrativas baseadas na dor social.<\/p>\n<p>Ambientadas nos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, as narrativas dialogam com um contexto em que a desigualdade n\u00e3o funciona como pano de fundo, mas como elemento constitutivo da experi\u00eancia de adoecer. A infec\u00e7\u00e3o pelo HIV surge imbricada a trajet\u00f3rias de exclus\u00e3o, v\u00ednculos prec\u00e1rios de trabalho, migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e viol\u00eancia simb\u00f3lica e material. A ferida, como sugere o t\u00edtulo, \u00e9 biol\u00f3gica, mas sobretudo \u00e9 social, hist\u00f3rica e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Ao propor um enfrentamento coletivo, a obra tamb\u00e9m suscita uma quest\u00e3o inevit\u00e1vel: at\u00e9 que ponto a literatura, por si s\u00f3, pode incidir sobre estruturas sociais t\u00e3o profundamente arraigadas, dilema recorrente em toda produ\u00e7\u00e3o cultural comprometida com a cr\u00edtica social. Ao recorrer a refer\u00eancias hist\u00f3ricas, como o epis\u00f3dio envolvendo Dom Pedro I e a chamada \u201caut\u00f3psia tardia\u201d, o autor evidencia que a desigualdade no Brasil n\u00e3o \u00e9 circunstancial, mas resultado de processos hist\u00f3ricos de concentra\u00e7\u00e3o de poder, privil\u00e9gios e invisibiliza\u00e7\u00f5es, cujos efeitos se inscrevem diretamente nos corpos. Trata-se, como alerta o autor, de um projeto em curso, cujas consequ\u00eancias seguem definindo as formas de adoecer e morrer no pa\u00eds.<\/p>\n<p><em>A Ferida Aberta <\/em>\u00e9, portanto, um livro que incomoda porque revela, sensibiliza porque escuta e provoca porque n\u00e3o se limita a narrar. Ao articular medicina, hist\u00f3ria e cr\u00edtica social, Heber Neiva reafirma que cuidar da sa\u00fade \u00e9, necessariamente, cuidar das condi\u00e7\u00f5es de vida. A obra nos lembra que, enquanto as estruturas permanecerem desiguais, as feridas continuar\u00e3o abertas: trat\u00e1-las pode exigir rem\u00e9dios, mas fech\u00e1-las requer, sobretudo, justi\u00e7a social, pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas e o reconhecimento pleno da dignidade humana.<\/p>\n<p>Os recursos obtidos com a venda do livro s\u00e3o integralmente destinados a entidades dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha que prestam apoio e assist\u00eancia a pessoas soropositivas.<\/p>\n<p><strong>* Mauro S\u00edlvio <\/strong>\u00e9 doutorando em Bens Culturais e Projetos Sociais \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/diplomatique.org.br<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em A Ferida Aberta, o autor \u00e9 claro ao afirmar que n\u00e3o basta tratar apenas o v\u00edrus: a doen\u00e7a n\u00e3o existe apartada da fome, do racismo, da pobreza, da viol\u00eancia, do estigma e da aus\u00eancia do Estado Por Mauro S\u00edlvio* Antes de ser escritor, Heber Neiva (Vav\u00e1), ex-prefeito de Cara\u00ed, \u00e9 m\u00e9dico. Infectologista por forma\u00e7\u00e3o e voca\u00e7\u00e3o, construiu uma trajet\u00f3ria profissional marcada pelo atendimento direto a pessoas vivendo com HIV, sobretudo nos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, regi\u00f5es historicamente afetadas pela desigualdade social, seja pela precariedade das pol\u00edticas p\u00fablicas, seja pela persist\u00eancia de vulnerabilidades estruturais que se reproduzem ao longo das gera\u00e7\u00f5es. Diante das in\u00fameras experi\u00eancias no atendimento a pacientes e movido pela sensibilidade que lhe \u00e9 peculiar, o m\u00e9dico \u2013 agora tamb\u00e9m autor \u2013 deu forma ao livro A Ferida Aberta. Lan\u00e7ada no final de 2025, a obra surpreendeu pelo registro rico e delicado. As narrativas que comp\u00f5em o livro t\u00eam origem em hist\u00f3rias reais, constru\u00eddas a partir da escuta cl\u00ednica e da conviv\u00eancia profissional, com as identidades dos pacientes integralmente preservadas por meio do uso de nomes fict\u00edcios. 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A passagem sintetiza uma das den\u00fancias centrais do livro: embora os avan\u00e7os cient\u00edficos tenham reduzido significativamente o impacto letal da aids, sobretudo nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, seus benef\u00edcios n\u00e3o alcan\u00e7aram de forma plena os Vales do Jequitinhonha e do Mucuri. Ao longo de anos de escuta cl\u00ednica, o autor n\u00e3o se restringiu ao rigor t\u00e9cnico dos prontu\u00e1rios. O ex-presidente do Cons\u00f3rcio Intermunicipal de Sa\u00fade dos Vales do Mucuri, Jequitinhonha, colecionou hist\u00f3rias de mulheres e homens que aparecem no livro como personagens, cujas trajet\u00f3rias revelam tanto resist\u00eancia quanto perdas, viol\u00eancias e silenciamentos. Heber Neiva diagnosticou doen\u00e7as, conhecendo as pessoas, experi\u00eancias que marcaram de modo decisivo sua pr\u00e1tica profissional e ampliaram sua compreens\u00e3o do mundo, deslocando o exerc\u00edcio da medicina para al\u00e9m da cl\u00ednica estrita. Ainda na gradua\u00e7\u00e3o, o contato com o conceito de sindemia foi determinante para a forma\u00e7\u00e3o de seu olhar, representando um profundo deslocamento \u00e9tico e epistemol\u00f3gico. Em A Ferida Aberta, o autor \u00e9 claro ao afirmar que n\u00e3o basta tratar apenas o v\u00edrus: a doen\u00e7a n\u00e3o existe apartada da fome, do racismo, da pobreza, da viol\u00eancia, do estigma e da aus\u00eancia do Estado. Essa compreens\u00e3o aparece de forma contundente quando afirma: \u201cOs pat\u00f3genos biol\u00f3gicos s\u00e3o apenas rel\u00e2mpagos vis\u00edveis; por tr\u00e1s deles move-se uma nuvem antiga e densa de viol\u00eancia social, carregada por s\u00e9culos de desamparo, que avan\u00e7a lentamente sobre os territ\u00f3rios mais vulner\u00e1veis e despeja sua carga t\u00f3xica sobre quem menos tem defesas para se proteger\u201d. A met\u00e1fora sintetiza o n\u00facleo conceitual da obra, ao evidenciar a doen\u00e7a como express\u00e3o vis\u00edvel de estruturas invis\u00edveis de desigualdade. Esse entendimento marca todo o livro, que nasce do encontro entre medicina e humanidade, entre ci\u00eancia e escuta. As pessoas atendidas ao longo da carreira, muitas delas soropositivas, deixam de ser n\u00fameros estat\u00edsticos ou casos cl\u00ednicos e passam a ocupar o lugar de personagens, sem perda de dignidade ou complexidade. S\u00e3o relatos que revelam for\u00e7a e resili\u00eancia, mas tamb\u00e9m preconceito, viola\u00e7\u00f5es, abandono institucional e exclus\u00e3o social. Ao mesmo tempo em que devolve humanidade \u00e0s personagens, a obra enfrenta o desafio de narrar o sofrimento sem reduzi-lo a exemplaridade moral ou pedag\u00f3gica, risco recorrente em narrativas baseadas na dor social. Ambientadas nos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, as narrativas dialogam com um contexto em que a desigualdade n\u00e3o funciona como pano de fundo, mas como elemento constitutivo da experi\u00eancia de adoecer. A infec\u00e7\u00e3o pelo HIV surge imbricada a trajet\u00f3rias de exclus\u00e3o, v\u00ednculos prec\u00e1rios de trabalho, migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e viol\u00eancia simb\u00f3lica e material. A ferida, como sugere o t\u00edtulo, \u00e9 biol\u00f3gica, mas sobretudo \u00e9 social, hist\u00f3rica e pol\u00edtica. Ao propor um enfrentamento coletivo, a obra tamb\u00e9m suscita uma quest\u00e3o inevit\u00e1vel: at\u00e9 que ponto a literatura, por si s\u00f3, pode incidir sobre estruturas sociais t\u00e3o profundamente arraigadas, dilema recorrente em toda produ\u00e7\u00e3o cultural comprometida com a cr\u00edtica social. 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A obra nos lembra que, enquanto as estruturas permanecerem desiguais, as feridas continuar\u00e3o abertas: trat\u00e1-las pode exigir rem\u00e9dios, mas fech\u00e1-las requer, sobretudo, justi\u00e7a social, pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas e o reconhecimento pleno da dignidade humana. Os recursos obtidos com a venda do livro s\u00e3o integralmente destinados a entidades dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha que prestam apoio e assist\u00eancia a pessoas soropositivas. * Mauro S\u00edlvio \u00e9 doutorando em Bens Culturais e Projetos Sociais \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas. Fonte: https:\/\/diplomatique.org.br<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2392,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47,35,12,16,17],"tags":[],"class_list":["post-2387","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-minas-gerais","category-regional","category-vale-do-jequitinhonha","category-vale-do-mucuri"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2387"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2387\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2394,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2387\/revisions\/2394"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2392"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}