{"id":2266,"date":"2025-12-21T15:17:37","date_gmt":"2025-12-21T18:17:37","guid":{"rendered":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=2266"},"modified":"2025-12-21T15:17:59","modified_gmt":"2025-12-21T18:17:59","slug":"qual-e-a-playlist-do-seu-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=2266","title":{"rendered":"Qual \u00e9 a playlist do seu Natal?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2267\" aria-describedby=\"caption-attachment-2267\" style=\"width: 1040px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2267\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/gifts-5815004_1280-1024x682-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"1040\" height=\"693\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/gifts-5815004_1280-1024x682-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/gifts-5815004_1280-1024x682-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/gifts-5815004_1280-1024x682-1-150x100.jpg 150w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/gifts-5815004_1280-1024x682-1-330x220.jpg 330w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/gifts-5815004_1280-1024x682-1-420x280.jpg 420w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/gifts-5815004_1280-1024x682-1-510x340.jpg 510w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/gifts-5815004_1280-1024x682-1.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1040px) 100vw, 1040px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2267\" class=\"wp-caption-text\">Imagem &#8211; Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 reparou que o Natal tem trilha pr\u00f3pria? N\u00e3o falo s\u00f3 de Jingle Bell e de outros hits natalinos. S\u00e3o frases que se repetem, ano ap\u00f3s ano, como se fossem parte de um roteiro que todos conhecem de cor.<br \/>\nNa mesa, algu\u00e9m dispara:<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 podemos iniciar os trabalhos? Quem vai abrir o vinho? E n\u00e3o me venha com esse saca-rolhas mequetrefe.<br \/>\nH\u00e1 quem alerte para os excessos:<\/p>\n<p>&#8211; Veja se modera, heim? Lembra do ano passado que voc\u00ea caiu com a ta\u00e7a na m\u00e3o?<br \/>\nMelhor abafar o caso. Outro se preocupa:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea sabe que n\u00e3o pode comer doces. Nada de sobremesa, heim! Olha a glicose. Coma fruta.<br \/>\nTem quem v\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria:<\/p>\n<p>&#8211; Nossa, voc\u00ea est\u00e1 magra demais. Coma mais um pouquinho para n\u00e3o adoecer. N\u00e3o vou ficar com voc\u00ea no hospital de novo. Voc\u00ea \u00e9 irrespons\u00e1vel demais. Vive de luz, n\u00e3o toma \u00e1gua e n\u00e3o se exercita.<br \/>\nE, \u00e9 claro, n\u00e3o falta o cl\u00e1ssico:<\/p>\n<p>&#8211; Cad\u00ea o arroz com passas? S\u00f3 vai ter arroz de forno?<br \/>\nNa sequ\u00eancia, logo surge a ironia que arranca gargalhadas:<\/p>\n<p>&#8211; Vai ter panetone com sorvete, tia Gisele?<br \/>\nAntes que a tia tente escapar da piada, algu\u00e9m j\u00e1 chega com o socorro:<\/p>\n<p>&#8211; Nada de panetone com sorvete. Vamos com o cl\u00e1ssico daqui de casa: mousse de vinho!<br \/>\nBernardo, impaciente, adianta:<\/p>\n<p>&#8211; Nem vem. S\u00f3 quero sobremesa se for bolo de chocolate. Ana J\u00falia concorda.<br \/>\nE por falar nas sobremesas, a pergunta que n\u00e3o quer calar:<\/p>\n<p>&#8211; Tia Lulu, vamos ter ovos nevados e rabanadas?<br \/>\nAlgu\u00e9m pergunta se na farofa vai castanha. \u00c9 que tem al\u00e9rgicos na fam\u00edlia, lembra com preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; At\u00e9 tem, mas a farofa do Beto est\u00e1 separada.<br \/>\nNa troca de presentes, os clich\u00eas nunca envelhecem.<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 posso abrir os presentes, pergunta Gyslaine, j\u00e1 com a bolsinha de lado. Isabella ocupa o seu lugar ao lado da tia, atenta como conv\u00e9m a toda ajudante de Papai Noel.<br \/>\nAo desembrulhar os pacotes, ecoam as frases de sempre:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o precisava, n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Se n\u00e3o servir pode trocar, viu!<\/p>\n<p>&#8211; Achei a sua cara.<\/p>\n<p>No fim, o que vale s\u00e3o as lembran\u00e7as e as risadas que acompanham cada embrulho malfeito ou cada presente repetido.<\/p>\n<p>Nesse momento algu\u00e9m lembra dos presentes fakes criados pelo Osvaldinho, o pr\u00f3prio v\u00edtima da pr\u00f3pria piada. De quando ele ganhou uma \u201cgamela\u201d, refer\u00eancia ao apelido que ganhou na escola. A primog\u00eanita, famosa por dedurar as traquinagens dos irm\u00e3os, ganhou um tridente. Mas \u00e9 melhor parar por aqui. Abafar o caso, porque h\u00e1 quem j\u00e1 tenha recebido surpresinhas inomin\u00e1veis. Essa tradi\u00e7\u00e3o seguiu por anos, com Guilherme assumindo o posto depois que o Osvaldinho se foi.<br \/>\nAs conversas seguem o mesmo tom:<\/p>\n<p>&#8211; Nossa, como a fam\u00edlia cresceu! Que tanto de crian\u00e7as!<\/p>\n<p>&#8211; Ano que vem a gente tem que se reunir mais vezes.<\/p>\n<p>O Natal vira invent\u00e1rio de afetos. Uma forma de medir o tempo pelo crescimento dos filhos, nascimento dos netos, sobrinhos-netos e pela saudade dos que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o.<br \/>\nQuando o brinde chega, as frases viram votos:<\/p>\n<p>&#8211; Sa\u00fade, paz e uni\u00e3o para todos n\u00f3s!<\/p>\n<p>E n\u00e3o espere ouvir que \u201cno ano que vem \u00e9 na minha casa\u201d. Nada disso. Vai ser aqui mesmo. \u00c9 tradi\u00e7\u00e3o. O Natal sempre foi na casa dos nossos pais. E a festa continua. No mesmo lugarzinho, mesmo que estejam em outro plano. \u00c9 o nosso compromisso de nunca nos afastarmos. Cord\u00e3o umbilical que n\u00e3o se rompe. O que mudou foram os lugares na mesa de jantar. Com a chegada dos netos foi necess\u00e1rio aumentar o n\u00famero de cadeiras, pratos, talheres e ta\u00e7as. Para os sobrinhos netos tem a cadeirinha com quase cem anos (foi do Tio Gualter, lembra algu\u00e9m) e a mais nova, constru\u00edda pelo Papai e pelo Beto.<\/p>\n<p>O verdadeiro encerramento vem com a frase que sela a noite:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o esque\u00e7a da sua marmita.<\/p>\n<p>&#8211; O pernil estava grande demais. Vamos comer carne de porco por, pelo menos, uma semana.<\/p>\n<p>Essas frases, repetidas e previs\u00edveis, s\u00e3o o tecido invis\u00edvel que costura o Natal. Sem elas, talvez a noite fosse silenciosa demais. Com elas, o Natal ganha sabor de tradi\u00e7\u00e3o, lembran\u00e7a e afeto. No fundo, cada repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de dizer: estamos juntos mais uma vez.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1109\" aria-describedby=\"caption-attachment-1109\" style=\"width: 1070px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-1109\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1-300x171.png\" alt=\"\" width=\"1070\" height=\"610\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1-300x171.png 300w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1-1024x585.png 1024w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1-768x439.png 768w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1.png 1050w\" sizes=\"(max-width: 1070px) 100vw, 1070px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1109\" class=\"wp-caption-text\">Gisele Bicalho \u00e9 jornalista e escritora.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 reparou que o Natal tem trilha pr\u00f3pria? N\u00e3o falo s\u00f3 de Jingle Bell e de outros hits natalinos. S\u00e3o frases que se repetem, ano ap\u00f3s ano, como se fossem parte de um roteiro que todos conhecem de cor. Na mesa, algu\u00e9m dispara: &#8211; J\u00e1 podemos iniciar os trabalhos? Quem vai abrir o vinho? E n\u00e3o me venha com esse saca-rolhas mequetrefe. H\u00e1 quem alerte para os excessos: &#8211; Veja se modera, heim? Lembra do ano passado que voc\u00ea caiu com a ta\u00e7a na m\u00e3o? Melhor abafar o caso. Outro se preocupa: &#8211; Voc\u00ea sabe que n\u00e3o pode comer doces. Nada de sobremesa, heim! Olha a glicose. Coma fruta. Tem quem v\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria: &#8211; Nossa, voc\u00ea est\u00e1 magra demais. Coma mais um pouquinho para n\u00e3o adoecer. N\u00e3o vou ficar com voc\u00ea no hospital de novo. Voc\u00ea \u00e9 irrespons\u00e1vel demais. Vive de luz, n\u00e3o toma \u00e1gua e n\u00e3o se exercita. E, \u00e9 claro, n\u00e3o falta o cl\u00e1ssico: &#8211; Cad\u00ea o arroz com passas? S\u00f3 vai ter arroz de forno? Na sequ\u00eancia, logo surge a ironia que arranca gargalhadas: &#8211; Vai ter panetone com sorvete, tia Gisele? Antes que a tia tente escapar da piada, algu\u00e9m j\u00e1 chega com o socorro: &#8211; Nada de panetone com sorvete. Vamos com o cl\u00e1ssico daqui de casa: mousse de vinho! Bernardo, impaciente, adianta: &#8211; Nem vem. S\u00f3 quero sobremesa se for bolo de chocolate. Ana J\u00falia concorda. E por falar nas sobremesas, a pergunta que n\u00e3o quer calar: &#8211; Tia Lulu, vamos ter ovos nevados e rabanadas? Algu\u00e9m pergunta se na farofa vai castanha. \u00c9 que tem al\u00e9rgicos na fam\u00edlia, lembra com preocupa\u00e7\u00e3o. &#8211; At\u00e9 tem, mas a farofa do Beto est\u00e1 separada. Na troca de presentes, os clich\u00eas nunca envelhecem. &#8211; J\u00e1 posso abrir os presentes, pergunta Gyslaine, j\u00e1 com a bolsinha de lado. Isabella ocupa o seu lugar ao lado da tia, atenta como conv\u00e9m a toda ajudante de Papai Noel. Ao desembrulhar os pacotes, ecoam as frases de sempre: &#8211; N\u00e3o precisava, n\u00e3o. &#8211; Se n\u00e3o servir pode trocar, viu! &#8211; Achei a sua cara. No fim, o que vale s\u00e3o as lembran\u00e7as e as risadas que acompanham cada embrulho malfeito ou cada presente repetido. Nesse momento algu\u00e9m lembra dos presentes fakes criados pelo Osvaldinho, o pr\u00f3prio v\u00edtima da pr\u00f3pria piada. De quando ele ganhou uma \u201cgamela\u201d, refer\u00eancia ao apelido que ganhou na escola. A primog\u00eanita, famosa por dedurar as traquinagens dos irm\u00e3os, ganhou um tridente. Mas \u00e9 melhor parar por aqui. Abafar o caso, porque h\u00e1 quem j\u00e1 tenha recebido surpresinhas inomin\u00e1veis. Essa tradi\u00e7\u00e3o seguiu por anos, com Guilherme assumindo o posto depois que o Osvaldinho se foi. As conversas seguem o mesmo tom: &#8211; Nossa, como a fam\u00edlia cresceu! Que tanto de crian\u00e7as! &#8211; Ano que vem a gente tem que se reunir mais vezes. O Natal vira invent\u00e1rio de afetos. Uma forma de medir o tempo pelo crescimento dos filhos, nascimento dos netos, sobrinhos-netos e pela saudade dos que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o. Quando o brinde chega, as frases viram votos: &#8211; Sa\u00fade, paz e uni\u00e3o para todos n\u00f3s! E n\u00e3o espere ouvir que \u201cno ano que vem \u00e9 na minha casa\u201d. Nada disso. Vai ser aqui mesmo. \u00c9 tradi\u00e7\u00e3o. O Natal sempre foi na casa dos nossos pais. E a festa continua. No mesmo lugarzinho, mesmo que estejam em outro plano. \u00c9 o nosso compromisso de nunca nos afastarmos. Cord\u00e3o umbilical que n\u00e3o se rompe. O que mudou foram os lugares na mesa de jantar. Com a chegada dos netos foi necess\u00e1rio aumentar o n\u00famero de cadeiras, pratos, talheres e ta\u00e7as. Para os sobrinhos netos tem a cadeirinha com quase cem anos (foi do Tio Gualter, lembra algu\u00e9m) e a mais nova, constru\u00edda pelo Papai e pelo Beto. O verdadeiro encerramento vem com a frase que sela a noite: &#8211; N\u00e3o esque\u00e7a da sua marmita. &#8211; O pernil estava grande demais. Vamos comer carne de porco por, pelo menos, uma semana. Essas frases, repetidas e previs\u00edveis, s\u00e3o o tecido invis\u00edvel que costura o Natal. Sem elas, talvez a noite fosse silenciosa demais. Com elas, o Natal ganha sabor de tradi\u00e7\u00e3o, lembran\u00e7a e afeto. 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