{"id":1959,"date":"2025-11-03T15:00:13","date_gmt":"2025-11-03T18:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=1959"},"modified":"2025-11-03T15:55:45","modified_gmt":"2025-11-03T18:55:45","slug":"1959","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/?p=1959","title":{"rendered":"L\u00d4 BORGES: M\u00daSICA SEM FRONTEIRAS"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1949\" aria-describedby=\"caption-attachment-1949\" style=\"width: 879px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1949\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lo-Borges-DIvulgacao-Joao-Diniz-300x169.webp\" alt=\"\" width=\"879\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lo-Borges-DIvulgacao-Joao-Diniz-300x169.webp 300w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lo-Borges-DIvulgacao-Joao-Diniz-768x432.webp 768w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lo-Borges-DIvulgacao-Joao-Diniz.webp 1000w\" sizes=\"(max-width: 879px) 100vw, 879px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1949\" class=\"wp-caption-text\">O cantor e compositor L\u00f4 Borges faleceu no domingo, 02 de novembro, aos 73 anos. O artista mineiro estava internado, em Belo Horizonte, desde o dia 17 de outubro tratando um quadro de intoxica\u00e7\u00e3o medicamentosa &#8211; Foto: Jo\u00e3o Diniz<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Brasil e o mundo se despedem do cantor e compositor L\u00f4 Borges. Um dos fundadores do famoso movimento Clube da Esquina, morreu na noite desse domingo (2) aos 73 anos. O artista mineiro estava internado em Belo Horizonte desde o dia 17 de outubro tratando um quadro de intoxica\u00e7\u00e3o medicamentosa.<\/p>\n<p>Em 2008, ainda cursando Jornalismo e trabalhando como estagi\u00e1ria do<a href=\"https:\/\/onorte.net\/\"> Jornal O Norte de Minas<\/a> e apresentadora da R\u00e1dio Express\u00e3o FM, tive a honra de entrevistar L\u00f4 Borges durante sua passagem por Montes Claros para divulgar o projeto promovido pelo Museu Clube da Esquina para divulgar e preservar a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica do Clube da Esquina. Em nossa conversa, L\u00f4 Borges falou da m\u00fasica e da amizade do Clube da Esquina, dos antigos e novos parceiros, da forma como sua m\u00fasica vem se renovando, passando de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o sem nunca perder o estilo.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o Borges Filho, o sexto filho da fam\u00edlia Borges, nasceu em 1952 em Belo Horizonte, e\u00a0mineiro se envolveu com a arte de tocar e cantar ainda menino: aos dez anos arriscava os primeiros acordes no viol\u00e3o; aos doze j\u00e1 havia formado sua primeira banda \u2013 The Bivers, tomado pela beatlemania; em seguida come\u00e7ou a compor as can\u00e7\u00f5es que seriam a base do consolidado movimento que surgiria anos depois, transformando a m\u00fasica brasileira, o Clube da Esquina; aos dezessete, em parceria com Milton Nascimento grava o \u00e1lbum Clube da Esquina e, em 1972, lan\u00e7a seu primeiro \u00e1lbum solo, L\u00f4 Borges (o disco do T\u00eanis).<\/p>\n<p>A carreira de L\u00f4 sempre foi assim: efervescente. Ao lado do irm\u00e3o M\u00e1rcio, Milton Nascimento, Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Ronaldo Bastos, Fernando Brant e tantos outros, L\u00f4 construiu uma carreira s\u00f3lida, marcada por can\u00e7\u00f5es que eternizaram a fama da qualidade da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica mineira, e que foram gravadas pelos mais importantes interpretes da MPB. Mas, como ele mesmo diz, n\u00e3o se pode ver a vida pelo espelho retrovisor, 35 anos depois, L\u00f4 continua em plena produ\u00e7\u00e3o e absorve harmoniosamente as influ\u00eancias da m\u00fasica produzida pela nova gera\u00e7\u00e3o e se deixa levar por elas sem, entretanto, perder o foco e o estilo que o consagrou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1947 alignnone\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15446255245c111d747a1fc_1544625524_3x4_md-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"601\" height=\"801\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15446255245c111d747a1fc_1544625524_3x4_md-225x300.jpg 225w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/15446255245c111d747a1fc_1544625524_3x4_md.jpg 577w\" sizes=\"(max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><\/p>\n<p><strong>Confira, a seguir, a entrevista, veiculada na R\u00e1dio Express\u00e3o FM e publicada no Jornal O Norte de Minas.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda:<\/strong> <strong>Voc\u00ea \u00e9 s\u00edmbolo vivo e em plena produ\u00e7\u00e3o (gra\u00e7as a Deus!) de um dos movimentos mais importantes da m\u00fasica brasileira. Se olhar para esses 35 anos de m\u00fasica, faria tudo de novo, do mesmo jeito?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> Me orgulho da maneira como minha trajet\u00f3ria foi constru\u00edda. Comecei bem garoto no mundo discogr\u00e1fico, quando o Milton [Nascimento] me convidou para fazer o \u00e1lbum Clube da Esquina, e teve uma repercuss\u00e3o muito maior do que a gente imaginava ou do que eu podia esperar, e a partir da\u00ed minha carreira foi se desenvolvendo naturalmente. Eu vejo esse tempo como um tempo de muita criatividade, os encontros foram muitos felizes, o destino colocou as pessoas certas no lugar certo, na hora certa e acho muito bacana tudo o que aconteceu. O mais importante nisso tudo \u00e9 que n\u00e3o podemos olhar muito as coisas pelo espelho retrovisor e eu vejo minha carreira assim. Estou sempre buscando novos caminhos, meu \u00edmpeto de compor, de fazer trabalhos novos \u00e9 parecido com o come\u00e7o de minha carreira. Essa chama acesa \u00e9 que acho importante manter para a m\u00fasica continuar sobrevivendo dentro de mim, que \u00e9 meu alimento, minha forma de express\u00e3o, minha atividade principal. Sou muito feliz e muito grato \u00e0s energias positivas. Hoje, com 35 anos de carreira, pego um instrumento, o viol\u00e3o ou piano, e fa\u00e7o m\u00fasica, continuo em plena atividade e tenho que agradecer muito \u00e0 vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda: Nesse mais recente CD, Bhanda, d\u00e1 para perceber uma est\u00e9tica moderna, jovem, mas com seu estilo peculiar. Como foi essa nova experi\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong>O \u00e1lbum Bhanda foi uma experi\u00eancia totalmente inusitada em minha vida, porque \u00e9 um disco onde me relaciono com v\u00e1rias pessoas, em v\u00e1rios lugares. Tem uma banda chamada Radar Tant\u00e3, eu sou amigos dos caras e um dia resolvi experimentar uma m\u00fasica nova no est\u00fadio deles, com eles tocando comigo. Eu gostei do resultado desse encontro e propus a eles que a gente pudesse tocar mais vezes, gravar mais m\u00fasicas ao longo do ano, numa coisa mais relaxada, uma m\u00fasica por m\u00eas. Eu teria tempo de continuar minha turn\u00ea do \u00e1lbum anterior &#8211; Um Dia e Meio &#8211; eles continuariam nas atividades profissionais deles, e uma vez por m\u00eas a gente se encontraria para fazer uma nova can\u00e7\u00e3o. Uma can\u00e7\u00e3o do L\u00f4 Borges com a interven\u00e7\u00e3o e o sotaque da banda deles, que j\u00e1 existia. Esse encontro trouxe um sotaque mais vigoroso para o disco, as pessoas at\u00e9 falam que um disco meio rock, enfim, que para mim n\u00e3o \u00e9 uma realidade distante porque eu era um garoto que amava os Beatles e Rolling Stones no come\u00e7o da minha carreira (risos). Foi muito legal encontrar com essas pessoas novas e com elas fazer um trabalho que resultou no Cd Bhanda, que tem sido bem aceito. Gosto muito do que fiz, desse encontro feliz e essa felicidade est\u00e1 presente at\u00e9 no nome, porque bhanda em s\u00e2nscrito significa felicidade, e pra mim foi encontro de felicidade com essas pessoas.<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda: Mas as parcerias anteriores, principalmente o M\u00e1rcio (Borges), que sempre foi seu parceiro mais constante, continuam dando certo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> Sim, o M\u00e1rcio Borges sempre foi meu parceiro majorit\u00e1rio, o cara que sempre fez mais m\u00fasica comigo, desde que a gente come\u00e7ou a compor. Somos irm\u00e3os, mor\u00e1vamos na mesma casa e ao longo de nossa vida sempre tivemos essa facilidade de nos aproximar e de fazer m\u00fasica juntos. Teve um momento que ele mudou de belo Horizonte, eu me encontrava menos com ele e a gente produziu menos juntos, mas ter voltado para Belo Horizonte facilitou, e no \u00e1lbum Bhanda ele \u00e9 o meu parceiro majorit\u00e1rio, a metade das can\u00e7\u00f5es tem letra dele. Compor com ele \u00e9 pra mim uma coisa muita tranq\u00fcila, muito prazerosa e muito entrosada, porque foi meu primeiro parceiro na verdade. A primeira can\u00e7\u00e3o que fiz na minha vida, quem fez a letra foi o M\u00e1rcio Borges. E as mais recentes que tenho feito, at\u00e9 depois do Bhanda, porque continuo trabalhando, compondo, o M\u00e1rcio continua muito presente em minha obra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda: Quando foi que voc\u00ea descobriu que a m\u00fasica era o seu lance? Ou foi a m\u00fasica que o descobriu?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> Na verdade houve um pequeno pren\u00fancio disso quando eu, Beto Guedes, Y\u00e9 Borges e o M\u00e1rcio Aquino, com doze anos de idade, formamos um grupo que cantava m\u00fasicas dos Beatles, no mesmo ano em que os Beatles tiveram lan\u00e7amento mundial, que eles surgiram no Brasil. Foi uma beatlemania total na cabe\u00e7a da gente e a gente tratou logo de fazer uma banda para cantar suas m\u00fasicas. N\u00f3s nos apresent\u00e1vamos em programas de audit\u00f3rio, de r\u00e1dio e televis\u00e3o, em clubes de Belo Horizonte e isso eu considero o primeiro esbo\u00e7o, minha entrada de tocar para p\u00fablico ver. Foi uma semiprofissionaliza\u00e7\u00e3o e naquele momento eu jamais poderia imaginar que iria me tornar uns compositores conhecidos, que fosse levar minha vida pelos caminhos da m\u00fasica, mas a m\u00fasica entrou bem cedo na vida, nessa \u00e9poca, nos anos 60. Eu n\u00e3o posso deixar de citar o Milton Nascimento, um grande incentivador meu, que come\u00e7ou a gravar minhas m\u00fasicas. Ele j\u00e1 era um cara conhecido naquele momento, quando eu tinha dezessete anos de idade ele gravou tr\u00eas can\u00e7\u00f5es minhas no \u00e1lbum dele, sendo uma parceria minha com ele \u2013 Para Lennon e McCartney, Alunar e Clube da Esquina 01. Logo depois, para surpresa minha, ele apareceu em minha casa, eu pensei que ele ia pedir mais uma m\u00fasica minha para gravar, foi surpreendente, ele me fez o convite para ir morar no Rio com ele, dividir um \u00e1lbum com ele, que foi o Clube da Esquina. O Milton foi o cara que me impulsionou para o mundo discogr\u00e1fico. A m\u00fasica j\u00e1 existia dentro de mim, eu j\u00e1 era um adolescente compositor, mas n\u00e3o vislumbrava ainda uma carreira de discos, festivais da can\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era muito sintonizado com isso ainda, e o Milton que me botou pra frente que falou assim \u201cp\u00f4 cara, vamos fazer uma coisa juntos, eu queria dividir um \u00e1lbum com voc\u00ea\u201d. Ele \u00e9 um cara fundamental na minha vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda: Ouvindo voc\u00ea falar, e todos voc\u00eas que fizeram e ainda fazem parte do chamado Clube da Esquina, al\u00e9m da riqueza harm\u00f4nica, que \u00e9 a caracter\u00edstica mais marcante do movimento, d\u00e1 para perceber que a quest\u00e3o da amizade, do companheirismo tamb\u00e9m \u00e9 muito marcante. Como voc\u00ea v\u00ea essa hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong>A amizade sempre foi um elemento super importante no nosso conv\u00edvio. E naquele momento, no in\u00edcio das nossas carreiras, n\u00f3s pod\u00edamos ser mais freq\u00fcentes, mais ass\u00edduos nos nossos encontros, porque todos n\u00f3s \u00e9ramos dispon\u00edveis uns para os outros, todos n\u00f3s est\u00e1vamos iniciando nossas vidas. Hoje nos encontramos muito menos do que eu gostaria, mas todos n\u00f3s compreendendo que cada um tem sua trajet\u00f3ria, sua carreira, sua vida pessoal, sua fam\u00edlia, seus amigos. Esses anos todos se passaram, a amizade persiste, perdura, mas nos encontramos bem menos do que as pessoas imaginam que a gente se encontre. O Clube da Esquina foi um momento importante da minha vida, eu me orgulho muito de ser um dos autores das m\u00fasicas e do primeiro \u00e1lbum, o Clube da Esquina, mas na verdade minha vida continua seguindo em frente. Eu fiz um show h\u00e1 quinze dias com Beto Guedes, na Pra\u00e7a da Liberdade; ano passado fiz alguns shows com Fl\u00e1vio Venturini; em 2005 fiz show em Paris com Milton Nascimento; encontrei com Toninho Horta e a gente fez show juntos; tem o projeto do Museu tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, de vez em quando a gente se encontra. S\u00e3o encontros menos ass\u00edduos, \u00e9 verdade, mas sempre muito interessantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda: Por falar em Museu, o que acha dessa revitaliza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do Clube da Esquina encabe\u00e7ada pelo M\u00e1rcio Borges?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> O Museu \u00e9 um projeto brilhante do M\u00e1rcio, uma coisa vision\u00e1ria e importante para a hist\u00f3ria cultural do pa\u00eds, porque precisamos preservar o que foi feito. As pessoas ouvem falar do Clube da Esquina, mas \u00e0s vezes tem uma imagem distorcida do que realmente foi. Esse servi\u00e7o que o Marcinho est\u00e1 prestando \u00e0 comunidade, de colocar num site bem elaborado a hist\u00f3ria do disco Clube da Esquina, o primeiro, passando pelos outros \u00e1lbuns, por todos os personagens e seus pr\u00f3prios \u00e1lbuns, isso mant\u00e9m a mem\u00f3ria viva. Por isso se chama Museu Vivo, e \u00e9 muito bacana. As pessoas est\u00e3o vivas, trabalhando, produzindo e t\u00eam o hist\u00f3rico delas registrado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda:<\/strong> <strong>Com todas as mudan\u00e7as que aconteceram nos \u00faltimos anos, como voc\u00ea acha que o p\u00fablico percebe o trabalho do Clube da Esquina hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> Muitas pessoas se tornaram conhecidas, e at\u00e9 famosas, pelo movimento Clube da Esquina. A\u00ed eu acho que vai muito da m\u00fasica de cada um, o que cada um est\u00e1 fazendo. O p\u00fablico do Clube da Esquina vem se multiplicando a cada ano, de pai pra filho, de gera\u00e7\u00e3o pra gera\u00e7\u00e3o. E isso a gente percebe nos camarins, nos shows, principalmente em S\u00e3o Paulo que \u00e9 o lugar onde mais trabalho, h\u00e1 uma presen\u00e7a muito grande de jovens que nem sonhavam em nascer quando fiz as can\u00e7\u00f5es Trem Azul, Girassol (Um Girassol da Cor de Seus Cabelos, parceria com M\u00e1rcio Borges), minhas can\u00e7\u00f5es mais conhecidas. E esses jovens cantam as m\u00fasicas, eu tenho f\u00e3-clube infantil, pessoas de 10-12 anos de idade. Eu fico muito feliz com isso e acho que os outros artistas do Clube da Esquina tamb\u00e9m t\u00eam esse feed-back. N\u00e3o \u00e9 uma presen\u00e7a maci\u00e7a, mas nosso p\u00fablico foi muito bem \u201ccriado\u201d, digamos assim. Eu sou parceiro do Samuel Rosa, do Skank e ele mesmo \u00e9 um exemplo disso. O pai dele que era f\u00e3 do Clube da Esquina e quando o Samuel ainda era adolescente ele lhe apresentou o disco Clube da Esquina e ele se apaixonou, e hoje o filho do Samuel gosta das minhas m\u00fasicas, do Janela Lateral, e \u00e9 essa coisa din\u00e2mica, n\u00e3o p\u00e1ra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda:<\/strong> <strong>Seu trabalho \u00e9 muito consolidado, tanto que consegue absorver esses novos elementos, fazer parcerias com a nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos sem perder o foco. Como voc\u00ea v\u00ea a m\u00fasica que est\u00e1 sendo produzida hoje por essa nova gera\u00e7\u00e3o de um modo geral?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> O Brasil \u00e9 um pa\u00eds extremamente musical, de manifesta\u00e7\u00f5es culturais de um modo geral, mas especificamente na m\u00fasica \u00e9 um pa\u00eds muito rico, com muitas coisas interessantes acontecendo o tempo todo. Desde garoto percebo que o Brasil sempre produziu grandes compositores, grandes int\u00e9rpretes, grandes cantoras, grandes compositoras e acho que continua assim, o problema \u00e9 que a m\u00eddia capta muito pouco isso. A m\u00eddia \u00e9 um universo muito grande com uma porta muito estreita. O que ela veicula s\u00e3o cartas marcadas, coisas que as pessoas \u00e0s vezes est\u00e3o at\u00e9 saturadas de ver tantas vezes na televis\u00e3o, de ouvir no r\u00e1dio, mas a m\u00eddia funciona assim mesmo. Eu que sou um cara viajante, viajo pelo Brasil inteiro, recebo Cds de v\u00e1rias pessoas, me orgulho muito de ser um m\u00fasico brasileiro e vejo que a produ\u00e7\u00e3o musical no Brasil \u00e9 inesgot\u00e1vel e que n\u00e3o p\u00e1ra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda:<\/strong> <strong>Montes Claros \u00e9 ber\u00e7o de amigos e parceiros seus, e talvez uma das cidades mineiras que abriga o maior n\u00famero de f\u00e3s, seus e do Clube da Esquina de um modo geral. O que est\u00e1 preparando para o show de quinta-feira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> No show de quinta-feira vou me apresentar com uma banda nova, que \u00e9 o grupo com quem gravei o disco Bhanda, vamos tocar muitas can\u00e7\u00f5es da \u00e9poca do Clube da Esquina, coisas que as pessoas reconhecem e gostam de ouvir e algumas m\u00fasicas in\u00e9ditas, porque pra mim \u00e9 superimportante poder experimentar junto com o p\u00fablico, e at\u00e9 para meu prazer pessoal tamb\u00e9m. Eu estou em trabalho constante de composi\u00e7\u00e3o e gosto de tocar essas m\u00fasicas para que as pessoas possam conhecer, avaliar, enfim. Ent\u00e3o esse show \u00e9 uma mistura das m\u00fasicas mais conhecidas da minha carreira, das principais parcerias com Milton, Beto Guedes, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Toninho, Samuel Rosa e Nando Reis, muitas m\u00fasicas que s\u00e3o parcerias antigas e novas. \u00c9 um show com uma leitura mais forte, arranjos mais vigorosos, as pessoas t\u00eam dado um retorno legal, gostado do que t\u00eam escutado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda:<\/strong> <strong>De tudo o que produziu o que acha que tem mais de voc\u00ea &#8211; ou \u00e9 por igual? Com qual das suas m\u00fasicas voc\u00ea se identifica mais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> Na verdade eu me sinto bem com minhas m\u00fasicas de uma maneira indistinta. Tem momentos que estou mais pra Trem Azul, tem momentos que estou mais para a m\u00fasica que estou fazendo hoje, tem momentos que gosto mais de Girassol. Eu me sinto bem em conviver com minhas m\u00fasicas, tenho carinho por todas elas e n\u00e3o poderia ser diferente. Continuo sendo uma pessoa que comp\u00f5e com o maior amor, com o maior prazer, porque me relaciono muito bem com minhas m\u00fasicas e n\u00e3o citarei nenhuma especial, porque na verdade n\u00e3o tem realmente nenhuma; especial \u00e9 o conjunto de todas as m\u00fasicas, \u00e9 o dom que Deus nos d\u00e1, de estar diariamente voltado para o instrumento, para a cria\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas, para a composi\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 para mim o mais importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda:<\/strong> <strong>Al\u00e9m da divulga\u00e7\u00e3o do Bhanda, voc\u00ea est\u00e1 com mais algum projeto encaminhado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> Estou com a divulga\u00e7\u00e3o do disco Bhanda e fazendo um novo disco de in\u00e9ditas. J\u00e1 tem nove can\u00e7\u00f5es gravadas e vai ser lan\u00e7ado em 2008. Minha produ\u00e7\u00e3o de 2000 pra c\u00e1 est\u00e1 bem exacerbada, tenho feito mais coisas do que fiz nos anos 90, por exemplo. \u00c9 o terceiro disco que vou lan\u00e7ar no prazo de seis anos. Esse \u00e9 um projeto que eu devo fazer integralmente em parceria com M\u00e1rcio Borges. Estamos na fase de colocar as instrumenta\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o \u00e9 assim, ora estou ora na estrada com a divulga\u00e7\u00e3o do disco Bhanda, ora fazendo o Museu Vivo com M\u00e1rcio Borges, e quase sempre no est\u00fadio gravando as can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-1950 alignnone\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/lo-borges-morte-1762174146-274x300.jpg\" alt=\"\" width=\"590\" height=\"646\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/lo-borges-morte-1762174146-274x300.jpg 274w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/lo-borges-morte-1762174146.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 590px) 100vw, 590px\" \/><\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda:<\/strong> <strong>Em meio a tantos projetos, tem algum que voc\u00ea tentou fazer e n\u00e3o conseguiu ou queria ter feito e ainda n\u00e3o tentou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> N\u00e3o, eu fa\u00e7o meus projetos de acordo com a possibilidade deles serem realizados. Sou muito agradecido pelas coisas que t\u00eam acontecido na minha carreira e minha demanda eu quem crio. Todos os dias estou criando alguma hist\u00f3ria nova, algum projeto novo e nada que tenha ficado pra tr\u00e1s me traz frustra\u00e7\u00e3o. Pode ser que alguma coisa ou outra que eu tenha tido vontade de fazer eu n\u00e3o fiz, mas isso n\u00e3o me trouxe frustra\u00e7\u00e3o. O importante \u00e9 voc\u00ea estar com a chama acesa pro presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jerusia Arruda: Gostaria de deixar um recado para nossos leitores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00f4 Borges:<\/strong> Queria dizer para todos de Moc que sou um cara, assim, apaixonado por essa cidade. Nos anos 70 eu ia demais a Montes Claros com Beto Guedes, onde fiz v\u00e1rios amigos. Eu adoro Montes Claros, adoro as pessoas, o astral das pessoas, a culin\u00e1ria. Sempre tive um bom relacionamento com Moc e para mim vai ser um prazer matar um pouco a saudade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1975\" aria-describedby=\"caption-attachment-1975\" style=\"width: 625px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1975\" src=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Colunas-1-300x171.png\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Colunas-1-300x171.png 300w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Colunas-1-1024x585.png 1024w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Colunas-1-768x439.png 768w, https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Colunas-1.png 1050w\" sizes=\"(max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1975\" class=\"wp-caption-text\">Jerusia Arruda \u00e9 jornalista e escritora.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil e o mundo se despedem do cantor e compositor L\u00f4 Borges. Um dos fundadores do famoso movimento Clube da Esquina, morreu na noite desse domingo (2) aos 73 anos. O artista mineiro estava internado em Belo Horizonte desde o dia 17 de outubro tratando um quadro de intoxica\u00e7\u00e3o medicamentosa. Em 2008, ainda cursando Jornalismo e trabalhando como estagi\u00e1ria do Jornal O Norte de Minas e apresentadora da R\u00e1dio Express\u00e3o FM, tive a honra de entrevistar L\u00f4 Borges durante sua passagem por Montes Claros para divulgar o projeto promovido pelo Museu Clube da Esquina para divulgar e preservar a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica do Clube da Esquina. Em nossa conversa, L\u00f4 Borges falou da m\u00fasica e da amizade do Clube da Esquina, dos antigos e novos parceiros, da forma como sua m\u00fasica vem se renovando, passando de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o sem nunca perder o estilo. Salom\u00e3o Borges Filho, o sexto filho da fam\u00edlia Borges, nasceu em 1952 em Belo Horizonte, e\u00a0mineiro se envolveu com a arte de tocar e cantar ainda menino: aos dez anos arriscava os primeiros acordes no viol\u00e3o; aos doze j\u00e1 havia formado sua primeira banda \u2013 The Bivers, tomado pela beatlemania; em seguida come\u00e7ou a compor as can\u00e7\u00f5es que seriam a base do consolidado movimento que surgiria anos depois, transformando a m\u00fasica brasileira, o Clube da Esquina; aos dezessete, em parceria com Milton Nascimento grava o \u00e1lbum Clube da Esquina e, em 1972, lan\u00e7a seu primeiro \u00e1lbum solo, L\u00f4 Borges (o disco do T\u00eanis). A carreira de L\u00f4 sempre foi assim: efervescente. Ao lado do irm\u00e3o M\u00e1rcio, Milton Nascimento, Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Ronaldo Bastos, Fernando Brant e tantos outros, L\u00f4 construiu uma carreira s\u00f3lida, marcada por can\u00e7\u00f5es que eternizaram a fama da qualidade da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica mineira, e que foram gravadas pelos mais importantes interpretes da MPB. Mas, como ele mesmo diz, n\u00e3o se pode ver a vida pelo espelho retrovisor, 35 anos depois, L\u00f4 continua em plena produ\u00e7\u00e3o e absorve harmoniosamente as influ\u00eancias da m\u00fasica produzida pela nova gera\u00e7\u00e3o e se deixa levar por elas sem, entretanto, perder o foco e o estilo que o consagrou. Confira, a seguir, a entrevista, veiculada na R\u00e1dio Express\u00e3o FM e publicada no Jornal O Norte de Minas.\u00a0 &nbsp; Jerusia Arruda: Voc\u00ea \u00e9 s\u00edmbolo vivo e em plena produ\u00e7\u00e3o (gra\u00e7as a Deus!) de um dos movimentos mais importantes da m\u00fasica brasileira. Se olhar para esses 35 anos de m\u00fasica, faria tudo de novo, do mesmo jeito? L\u00f4 Borges: Me orgulho da maneira como minha trajet\u00f3ria foi constru\u00edda. Comecei bem garoto no mundo discogr\u00e1fico, quando o Milton [Nascimento] me convidou para fazer o \u00e1lbum Clube da Esquina, e teve uma repercuss\u00e3o muito maior do que a gente imaginava ou do que eu podia esperar, e a partir da\u00ed minha carreira foi se desenvolvendo naturalmente. Eu vejo esse tempo como um tempo de muita criatividade, os encontros foram muitos felizes, o destino colocou as pessoas certas no lugar certo, na hora certa e acho muito bacana tudo o que aconteceu. O mais importante nisso tudo \u00e9 que n\u00e3o podemos olhar muito as coisas pelo espelho retrovisor e eu vejo minha carreira assim. Estou sempre buscando novos caminhos, meu \u00edmpeto de compor, de fazer trabalhos novos \u00e9 parecido com o come\u00e7o de minha carreira. Essa chama acesa \u00e9 que acho importante manter para a m\u00fasica continuar sobrevivendo dentro de mim, que \u00e9 meu alimento, minha forma de express\u00e3o, minha atividade principal. Sou muito feliz e muito grato \u00e0s energias positivas. Hoje, com 35 anos de carreira, pego um instrumento, o viol\u00e3o ou piano, e fa\u00e7o m\u00fasica, continuo em plena atividade e tenho que agradecer muito \u00e0 vida. &nbsp; Jerusia Arruda: Nesse mais recente CD, Bhanda, d\u00e1 para perceber uma est\u00e9tica moderna, jovem, mas com seu estilo peculiar. Como foi essa nova experi\u00eancia? L\u00f4 Borges:O \u00e1lbum Bhanda foi uma experi\u00eancia totalmente inusitada em minha vida, porque \u00e9 um disco onde me relaciono com v\u00e1rias pessoas, em v\u00e1rios lugares. Tem uma banda chamada Radar Tant\u00e3, eu sou amigos dos caras e um dia resolvi experimentar uma m\u00fasica nova no est\u00fadio deles, com eles tocando comigo. Eu gostei do resultado desse encontro e propus a eles que a gente pudesse tocar mais vezes, gravar mais m\u00fasicas ao longo do ano, numa coisa mais relaxada, uma m\u00fasica por m\u00eas. Eu teria tempo de continuar minha turn\u00ea do \u00e1lbum anterior &#8211; Um Dia e Meio &#8211; eles continuariam nas atividades profissionais deles, e uma vez por m\u00eas a gente se encontraria para fazer uma nova can\u00e7\u00e3o. Uma can\u00e7\u00e3o do L\u00f4 Borges com a interven\u00e7\u00e3o e o sotaque da banda deles, que j\u00e1 existia. Esse encontro trouxe um sotaque mais vigoroso para o disco, as pessoas at\u00e9 falam que um disco meio rock, enfim, que para mim n\u00e3o \u00e9 uma realidade distante porque eu era um garoto que amava os Beatles e Rolling Stones no come\u00e7o da minha carreira (risos). Foi muito legal encontrar com essas pessoas novas e com elas fazer um trabalho que resultou no Cd Bhanda, que tem sido bem aceito. Gosto muito do que fiz, desse encontro feliz e essa felicidade est\u00e1 presente at\u00e9 no nome, porque bhanda em s\u00e2nscrito significa felicidade, e pra mim foi encontro de felicidade com essas pessoas. Jerusia Arruda: Mas as parcerias anteriores, principalmente o M\u00e1rcio (Borges), que sempre foi seu parceiro mais constante, continuam dando certo? L\u00f4 Borges: Sim, o M\u00e1rcio Borges sempre foi meu parceiro majorit\u00e1rio, o cara que sempre fez mais m\u00fasica comigo, desde que a gente come\u00e7ou a compor. Somos irm\u00e3os, mor\u00e1vamos na mesma casa e ao longo de nossa vida sempre tivemos essa facilidade de nos aproximar e de fazer m\u00fasica juntos. Teve um momento que ele mudou de belo Horizonte, eu me encontrava menos com ele e a gente produziu menos juntos, mas ter voltado para Belo Horizonte facilitou, e no \u00e1lbum Bhanda ele \u00e9 o meu parceiro majorit\u00e1rio, a metade das can\u00e7\u00f5es tem letra dele. Compor com ele \u00e9 pra mim uma coisa muita tranq\u00fcila, muito prazerosa e muito<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1975,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47,378],"tags":[482,79,481,483],"class_list":["post-1959","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-jerusia-arruda","tag-clube-da-esquina","tag-cultura","tag-lo-borges","tag-ponto-de-vista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1959","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1959"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1959\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1977,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1959\/revisions\/1977"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1975"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalgrandenorte.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}